22/08/2020 13h30
PF confisca mais dois aviões do narcotráfico
A PolÃcia Federal confiscou nessa sexta, 21, mais dois aviões apreendidos na Operação Além-Mar, deflagrada na terça, 18, contra narcotraficantes que mandava cocaÃna para Europa. As aeronaves foram localizadas em Campinas, no interior de São Paulo, e em Campo Grante.
Desde o inÃcio da operação foram cumpridos 37 mandados de prisão e foram apreendidos três helicópteros, dois jet skis, quatro embarcações e outros quatro aviões, além de imóveis, caminhões e veÃculos de luxo. Um carro de alto valor comercial foi apreendido em Natal no primeiro dia das buscas, assim como um jatinho, localizado em BrasÃlia.
De acordo com os investigadores, o esquema de tráfico internacional de cocaÃna contava com quatro organizações criminosas parceiras que dividiam a operacionalização da logÃstica de comércio da droga. As etapas incluÃam desde o uso de helicópteros por pilotos do tráfico escalados para trazer as cargas do Paraguai ao Brasil até, na outra ponta, a lavagem de dinheiro por empresários que funcionavam como verdadeiros bancos privados, segundo os investigadores.
A PolÃcia Federal no Pernambuco passou dois anos monitorando os criminosos em regime de colaboração com autoridades internacionais, a exemplo da National Crime Agency (NCA), de Londres, e revelou que o esquema seguiu operando mesmo na pandemia.
Durante a fase de investigação, os agentes apreenderam mais de dez toneladas de cocaÃna, prenderam suspeitos que ocupavam cargos mais baixos na hierarquia do esquema e foram identificando todos os quatro braços da operação, descritos abaixo:
1º - Estabelecido em São Paulo e responsável pela importação da cocaÃna pela fronteira com o Paraguai, transportando a droga por helicópteros até o Estado e distribuindo-a no atacado para organizações criminosas estabelecidas no Brasil e na Europa.
2º - Sediado em Campinas, recebia a cocaÃna para distribuição interna e exportação para Cabo Verde, na Ãfrica, e Espanha, Bélgica, França e Holanda, na Europa.
3º - Estabelecido em Recife, é integrado por empresários do setor de transporte de cargas, funcionários e motoristas de caminhão cooptados e provê a logÃstica de transporte rodoviário da droga e o armazenamento de carga até o momento de sua ocultação nos contêineres que serão embarcados para outros paÃses.
4ª - Também é sediado em São Paulo, na região do Brás, e atua como banco paralelo, disponibilizando sua rede de contas bancárias - titularizadas por empresas fantasma, de fachada ou em nome de laranjas - para movimentação de recursos de terceiros, de origem ilÃcita, mediante controle de crédito/débito, cujas restituições se dão em espécie e a partir de TEDs, inclusive com compensação de movimentação havida no exterior (dólar-cabo).
O ponto de partida do esquema era liderado por Sérgio de Arruda Neto, o Minotauro, que está preso desde o ano passado, e consistia na importação da droga trazida do Paraguai por aeronaves abastecidas em uma fazenda localizada no municÃpio de Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Mato Grosso do Sul.
De acordo com a PF, o transporte era feito por helicópteros como estratégia para diminuir os riscos de fiscalização. As aeronaves eram adaptadas: os bancos era retirados e davam lugar a tanques extras que aumentavam a autonomia do voo. Ainda assim, não era possÃvel seguir viagem sem escala para reabastecer, o que era feito em Teodoro Sampaio, no interior paulista.
Quando chegava em São Paulo, a carga era transferida a caminhões, já preparados para ocultar a droga, que seguiam para depósitos portuários. O deslocamento ficava a cargo de grandes empresários do setor de transporte. Pelo menos cinco foram presos hoje pela PF.
Na sequência, o carregamento era escondido em contêineres e embarcado em navios de carga para outros paÃses.
O lucro era lavado por uma organização criminosa parceira composta por empresários de regiões famosas de comércio na capital paulista, como o Brás e a rua 25 de março, ambos no centro da cidade.
Fonte: Estadão Conteúdo