31/10/2019 12h10
PF faz operações contra grupo que contrabandeava migrantes e lavou US$ 10 milhões
A PolÃcia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira, 31, as operações internacionais Estação Brás e Bengal Tiger para investigar contrabando de migrantes e lavagem de dinheiro. Segundo a corporação, as ações ocorrem simultaneamente em 20 paÃses contra um grupo que chefiava uma rota clandestina de migração para os Estados Unidos. A organização criminosa teria movimentado ao menos US$ 10 milhões no Brasil entre 2014 e 2019, indicou a PF.
Agentes cumprem oito mandados de prisão temporária e 18 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Embu das Artes e Taboão da Serra (SP) e Garibaldi (RS). Além disso, a 10ª Vara Federal Criminal Especializada em Lavagem de Dinheiro de São Paulo e a Justiça Federal do Acre determinaram o bloqueio judicial de 42 contas utilizadas pela organização criminosa.
Segundo a corporação, as ações ocorrem, internacionalmente, ao longo da rota clandestina de migração, "com a intensificação do controle migratório ao longo de toda a rota percorrida pelos contrabandeados".
A PolÃcia Federal indicou que as investigações tiveram inÃcio em maio de 2018, em cooperação com a Agência de imigração dos Estados Unidos - U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE).
A PolÃcia Federal suspeitava que estrangeiros residentes em São Paulo estariam liderando uma organização criminosa que promovia migração ilegal de pessoas para os EUA.
Os agentes identificaram que o grupo criminoso providenciava solicitações de refúgio ou o fornecimento de documentos de viagem falsos - passaportes, vistos e cartas de tripulantes marÃtimos - a migrantes de paÃses do Sul da Ãsia, em especial Afeganistão, Bangladesh, Ãndia, Nepal e Paquistão.
Os migrantes saiam de seus paÃses com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos e então eram recebidos pela quadrilha. Segundo, a PF, ao longo do tempo em que permaneciam em São Paulo, os migrantes ficavam no bairro do Brás, na região central de São Paulo, e sofriam maus-tratos, como cárcere privado, agressões fÃsicas e psicológicas.
Depois, os estrangeiros seguiam para Rio Branco (AC), de onde atravessavam a fronteira com o Peru e seguiam por via terrestre - ônibus, barco, carona e a pé - até a fronteira do México com os EUA.
Ao longo do trajeto, os migrantes passavam por diferentes paÃses: Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Honduras, Nicarágua, El Salvador, Guatemala e México.
Segundo a PF, os contrabandistas tinham domÃnio da rota clandestina e mantinham contato com associados em todos os paÃses e continentes envolvidos.
A investigação apurou ainda que o grupo criminoso teria sido responsável pela migração ilegal de oito migrantes bengaleses que, em junho deste ano, foram sequestrados por cartéis de drogas mexicanos, na cidade de Nuevo Laredo, já na fronteira do México com os Estados Unidos.
Ainda de acordo com a PolÃcia Federal, o grupo teria utilizado diferentes estratégias para lavar os R$ 10 milhões que movimentou no PaÃs entre 2014 e 2019, entre elas: uso de 'laranjas'; saques e movimentações em espécie; transferências, saques e movimentações de valores fracionados; e operações de dólar-cabo.
A PolÃcia Federal indicou que os investigados podem responder pelos crimes de contrabando de migrantes, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Nomes
A corporação indicou que o nome da operação "Estação Brás" faz referência ao bairro da cidade de São Paulo onde os principais lÃderes da organização criminosa atuam e onde os migrantes ilegais eram recebidos antes de seguirem pela rota ilegal até os Estados Unidos. Já o nome da operação "Bengal Tiger" tem relação com a origem bengalesa dos migrantes contrabandeados, indicou a corporação.
Fonte: Estadão Conteúdo