23/05/2019 20h20
PF prende 9 por tráfico de macaco-prego, tucano-toco, arara-canindé entre outros
A Operação Urutau, das PolÃcias Federal e Militar Ambiental de São Paulo, e do Ibama, levou à cadeia nove pessoas por suposto tráfico de animais silvestres. Além dos mandados de prisão (preventivas e temporárias), as autoridades cumpriram 16 ordens de busca e apreensão em diversas cidades paulistas. Segundo o Ministério Público Federal, responsável pelos pedidos de prisão, a ação desarticula uma rede que se estendia por diferentes estados e abarcava desde a captura dos animais até a venda pela internet, sem nenhum tipo de controle ou autorização.
"A coordenação dos crimes concentrava-se nas cidades de São Paulo e Guarulhos. Entre as espécies negociadas estão algumas em risco de extinção, como as araras vermelha e canindé, o macaco-prego e o tucano-toco. Os animais eram anunciados em redes sociais e sites hospedados no exterior e vendidos dentro do território nacional, com preços muito abaixo dos praticados no mercado regular. Os criminosos cobravam entre R$ 500 e R$ 7 mil por aves e mamÃferos cujo valor, quando comercializados por criadores devidamente autorizados, pode alcançar até R$ 50 mil", afirma o Ministério Público Federal em São Paulo.
Segundo a Procuradoria, as investigações "começaram em 2018, mas estima-se que os alvos atuem no mercado ilegal há dez anos". "As provas já coletadas indicam que os envolvidos apostavam na impunidade para dar sequência à s atividades ilÃcitas. Em trocas de mensagens, um dos coordenadores, que já tinha passagem pela polÃcia por homicÃdio, chegou a admitir que o risco de ser preso novamente valeria a pena, pois o tráfico de animais não resultaria em mais que quatro meses de detenção caso fosse pego".
Neste ano, antes mesmo de a operação ser deflagrada, os agentes realizaram apreensões de centenas de pássaros e macacos que estavam em posse de alguns dos criminosos. Diversos animais já estavam debilitados ou mortos devido às condições precárias de transporte e cativeiro a que eram submetidos. Nesta quinta, além de mais animais, os investigadores encontraram armas e uma série de documentos falsificados, utilizados pelo grupo para dar aparência de regularidade à venda aos futuros compradores", afirma o MPF.
De acordo com a Procuradoria, as autoridades alertam para os riscos da aquisição de animais silvestres comercializados sem a autorização dos órgãos de conservação. "A prática não só gera prejuÃzos ambientais, mas também acarreta perigos à saúde humana, com a possÃvel transmissão de meningite e outras doenças graves devido à ausência de controle sanitário. Os compradores ficam ainda sujeitos a punições. O crime de receptação qualificada, por exemplo, pode levar a penas que variam de três a oito anos de prisão, além do pagamento de multa".
Fonte: Estadão Conteúdo