28/08/2019 21h40
Polícia investiga maníaco sexual por crimes em série no Distrito Federal
O homem acusado de matar a advogada LetÃcia Sousa Curado Melo, de 26 anos, funcionária do Ministério da Educação (MEC), no último dia 23, é apontado pela PolÃcia Civil do Distrito Federal como um possÃvel assassino em série. De acordo com investigadores, o cozinheiro Marinésio dos Santos Olinto, de 41 anos, pode ser o autor de pelo menos 10 crimes sexuais registrados ao redor de BrasÃlia. Além da morte de LetÃcia, ele já teria confessado, de acordo com a polÃcia, o estupro e assassinato da empregada doméstica Genir Pereira de Sousa, de 47 anos. Ele é suspeito de ter matado uma terceira mulher e outras nove teriam acusado Olinto de crimes sexuais.
Após a prisão, Marinésio foi acusado de tentativa de estupro por duas irmãs, de 18 e 21 anos. Na noite do último sábado, 24, elas saÃram de uma festa em Planaltina e foram abordadas pelo cozinheiro, que se apresentou como motorista de transporte alternativo. As vÃtimas contaram à polÃcia que, no caminho, ele passou a mão nas pernas de uma delas, que estava no banco da frente e parou o carro. Uma das irmãs usou uma panela de preparar algodão doce que estava no banco de trás para se defender. As duas conseguiram fugir.
No último dia 11, uma jovem de 23 anos teria sido ameaçada pelo motorista, após pegar um transporte "pirata" no Terminal Rodoviária de Planaltina. Com o veÃculo em movimento, segundo relato da vÃtima, o suspeito teria tentado estuprá-la. A jovem pulou do carro em movimento. Ela procurou a polÃcia depois de reconhecer Marinésio por uma foto, após a divulgação da prisão e da morte de LetÃcia.
Uma adolescente de 17 anos também procurou a polÃcia na companhia da mãe para contar que reconheceu o cozinheiro como o homem que a teria estuprado em abril deste ano. Conforme o relato, a garota seguia para um ponto de ônibus, após as aulas, em Paranoá, quando foi abordada pelo suspeito. Com uma faca, ele teria obrigado a jovem a entrar em um carro e a violentou. Marinésio ainda tentou estrangular a garota. O boletim de ocorrência do estupro foi registrado em julho.
Sequestro
Marinésio também é investigado como o possÃvel sequestrador da doméstica Gisvania Pereira dos Santos, de 33 anos, desaparecida em 6 de outubro do ano passado, em Sobradinho, região administrativa do Distrito Federal. Uma irmã dela procurou a polÃcia depois de ver o noticiário sobre os crimes do cozinheiro. Uma câmera de um posto de gasolina flagrou quando o motorista de um carro branco insistiu para que ela entrasse no veÃculo. A mulher nunca mais foi vista.
No bairro em que morava com a mulher e uma filha de 16 anos, no Vale do Amanhecer, em Planaltina, o cozinheiro era considerado um homem pacato. De acordo com a polÃcia, no entanto, os moradores mais antigos relatam que há dez anos ele teria tentado estuprar uma vizinha, para quem deu carona. Desde a prisão, a casa está fechada. Sentindo-se ameaçadas, a mulher e a filha se mudaram.
Nesta quarta-feira, 28, a PolÃcia Civil do DF pediu que mulheres ou familiares de possÃveis vÃtimas do manÃaco procurem os órgãos policiais para registrar boletim de ocorrência. Segundo o órgão, será garantida toda privacidade. De acordo com o delegado Veluziano de Castro, que investiga a morte de LetÃcia, casos de ataques contra mulheres sem autoria conhecida estão sendo revistos. "Estamos revendo inquéritos de 2014 e 2015 que estavam em vias de arquivamento por falta de indÃcios dos suspeitos", disse.
Carona
Segundo o delegado, o cozinheiro teria um padrão de agir, atraindo vÃtimas que estão à procura de transporte. Foi o que teria acontecido no caso de Genir e no mais recente, que culminou com a morte de LetÃcia. As duas foram mortas por asfixia, após terem aceitado a "carona" oferecida pelo suspeito. De acordo com a investigação, a funcionária do MEC foi atacada quando saiu para trabalhar. A advogada morava com o marido e o filho de 3 anos em um apartamento do Setor Arapoanga, em um bairro de Planaltina.
O delegado disse que LetÃcia conhecia Marinésio de vista, pois à s vezes eles tomavam o mesmo ônibus. Ainda de acordo com a polÃcia, Marinésio viu a jovem no ponto de ônibus e ofereceu uma carona. Durante o trajeto, ele a teria assediado e, como a jovem rejeitou a investida, foi estrangulada. A perÃcia vai esclarecer se o estupro foi consumado, crime que Marinésio nega. O corpo foi abandonado à margem da rodovia DF-250. LetÃcia foi sepultada nesta terça-feira, 27, em Planaltina, em meio a manifestações contra os abusos.
Ainda segundo o delegado, assim que Marinésio foi preso pelo assassinato da advogada, os policiais estabeleceram a ligação dele com a morte de Genir. Ela trabalhava em uma pizzaria e, no dia 2 de junho, saiu de casa e não chegou para o trabalho. O corpo foi achado dez dias depois em uma mata, entre a pizzaria e o local em que ela morava, em Planaltina. Imagens de câmeras mostram o veÃculo do cozinheiro passando pelo local em que Genir desapareceu.
O cozinheiro foi transferido nesta quarta-feira, 28, para a carceragem do Departamento de PolÃcia Especializada. Ele será submetido ao reconhecimento por outras possÃveis vÃtimas. Ele deve responder por homicÃdio qualificado, pelos assassinatos de Genir e LetÃcia, podendo receber pena de 12 a 30 anos em cada caso. Marinésio também pode responder por estupro nos casos de mulheres que relataram as violências, com penas previstas de de 6 a 10 anos por crime.
A reportagem procura pelos defensores de Marinésio dos Santos Olinto.
Fonte: Estadão Conteúdo