11/11/2016 09h24
Polícia prende guarda-civil que admite ter armado emboscada para jovens
Policiais do Departamento de HomicÃdios e de Proteção à Pessoa (DHPP) prenderam na tarde desta quinta-feira, 11, um guarda-civil de Santo André, na Grande São Paulo, suspeito de envolvimento na morte dos cinco jovens da zona leste cujos corpos foram encontrados no domingo, em Mogi das Cruzes, na região metropolitana. Ele seria responsável por armar uma emboscada para atrair os rapazes. Segundo a polÃcia, o agente confessou a ação.
A armadilha era um perfil falso de garotas em uma rede social, usado para convidar os jovens para uma falsa festa em Ribeirão Pires, outra cidade da Grande São Paulo. O perfil foi retirado do ar pouco depois de os rapazes desaparecerem, em 21 de outubro.
A suspeita dos investigadores era de que o guarda-civil estivesse por trás da criação da página na rede social. "Ele confessou que montou a página para atrair os jovens", afirmou a delegada Elizabete Ferreira Sato, diretora do DHPP. Ela, no entanto, disse que o guarda negou participação na chacina. "Conseguimos a prisão temporária dele por 30 dias", disse Elizabete. A prisão do suspeito foi decretada pela Justiça de Mogi das Cruzes. Ele era ouvido pelos policiais até as 23 horas de desta quinta.
Ao menos duas outras pessoas estão sendo investigadas sob a suspeita de terem participado do crime. A delegada não confirmou nem descartou se entre eles há algum policial militar. Elizabete disse ainda que a Corregedoria da Guarda Civil Municipal de Santo André colabora com as investigações da PolÃcia Civil.
Motivo
Um dos jovens assassinados era suspeito de ter participado da morte de um guarda-civil em Santo André. "O crime envolvendo o guarda foi em 24 de setembro e causou grande comoção", disse a delegada.
No local em que os corpos foram achados - uma cova rasa em uma área rural -, a perÃcia técnica encontrou cápsulas de pistola calibre .40 que pertenciam a dois lotes comprados pela PolÃcia Militar, além de balas de revólver calibre 38 e de espingarda calibre 12.
Os corpos estavam cobertos por cal - quatro das vÃtimas haviam sido baleadas e uma delas, morta a facadas. Próximo dali, em um sÃtio frequentado por policiais militares, a Corregedoria da PM encontrou mais balas de calibre .40 e cal.
A descoberta chegou a levantar suspeitas nos investigadores de que alguém estivesse tentando incriminar PMs, que as balas tivessem sido plantadas no local do crime com essa finalidade. A polÃcia então investigava duas hipóteses: a primeira seguia a pista de uma vingança motivada pela morte do guarda, com a possÃvel participação de policiais, e a segunda, a de um possÃvel acerto de contas ligado ao tráfico de drogas, pois vários dos mortos já haviam sido presos anteriormente pela polÃcia.
As cinco vÃtimas foram identificadas pela polÃcia como sendo Robson Fernandes Donato de Paula, de 16 anos, CaÃque Henrique Machado Silva, Jonathan Moreira Ferreira, ambos de 18, Cesar Augusto Gomes da Silva, de 19 anos, e Jonas Ferreira Januário, de 30. Eles desapareceram quando saÃam do Parque São Rafael, na zona leste de São Paulo, para a suposta festa.
Enterro
De acordo com o ouvidor da PolÃcia, Julio Cesar Fernandes Neves, o crime tem "claros sinais de execução". O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), que vem prestando assistência à s famÃlias das vÃtimas, informou que os corpos dos jovens deverão ser retirados do Instituto Médico-Legal (IML) hoje e enterrados amanhã.
"Eles conseguiram uma reunião com a superintendência do IML, que dará mais detalhes sobre as perÃcias", disse a conselheira do Condepe Cheila Olalla. As famÃlias pediam a realização de uma perÃcia independente e a secretaria havia negado essa hipótese. (Colaborou Marcelo Godoy)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo