08/01/2016 22h45
Protesto no Rio termina em confusão
Pelo menos um ônibus foi depredado, um ponto de ônibus acabou destruÃdo e uma agência bancária teve os vidros quebrados durante tumulto no centro do Rio de Janeiro, na noite desta sexta, 8. Um homem foi detido acusado de atirar pedras contra policiais militares. Até a conclusão desta edição não havia registro de pessoas feridas. A confusão começou por volta das 20h20, ao final de um protesto contra o reajuste da tarifa dos ônibus municipais, que subiu de R$ 3,40 para R$ 3,80 no último dia 2.
Segundo os organizadores do ato, cerca de 2.000 manifestantes participaram da manifestação, que começou na Cinelândia e seguiu pacÃfica até a estação ferroviária Central do Brasil, no centro. Ali, já ao final do ato, pessoas começaram a atirar pedras e rojões contra guardas municipais e policiais militares, que revidaram com bombas de efeito moral e de gás pimenta.
O tumulto se estendeu pela avenida Presidente Vargas e pelas ruas próximas, onde o enfrentamento entre policiais e vândalos continuou. Dois acessos à estação de metrô da Central foram fechados. A interdição de ruas pela PolÃcia Militar (PM) obrigou os ônibus que têm ponto ao redor da ferrovia a mudar seus trajetos. A situação causou grande transtorno a quem queria embarcar nos ônibus.
A confusão inicial durou cerca de 10 minutos e fez muita gente correr para dentro do saguão da Central do Brasil, que por alguns minutos ficou tomada pelo cheiro de gás pimenta. Devido à confusão, os manifestantes se dispersaram, mas grupos de vândalos mascarados se espalharam pelo centro, causando tumulto e depredações.
Atrás da Central do Brasil, próximo a um terminal rodoviário, mais de dez bombas de efeito moral foram lançadas pelos policiais militares para conter os manifestantes. Um ônibus da viação Reginas foi esvaziado e depredado pelos baderneiros. A PM impediu que o veÃculo fosse incendiado. Manifestantes fizeram pelo menos três barricadas, ateando fogo em lixo para impedir a aproximação dos policiais, e os confrontos se estenderam pela noite.
Na Avenida Rio Branco, ao menos duas bombas de efeito moral foram atiradas por policiais militares contra manifestantes mascarados, que jogavam pedregulhos contra eles. Uma agência bancária situada entre a Presidente Vargas e a Rua da Alfândega foi depredada. No trecho, os manifestantes montaram uma barricada de lixo, incendiando-a em seguida.
Ainda na Rio Branco, os mascarados, armados com paus e pedras, derrubaram telas e tapumes de proteção das obras do VeÃculo Leve sobre Trilhos (VLT), cujos trilhos estão sendo instalados. Os tapumes foram atravessados na pista, para dificultar a aproximação dos policiais militares que perseguiam os envolvidos no quebra-quebra.
Protesto
Convocada por entidades estudantis, de trabalhadores e da sociedade civil, além de partidos polÃticos como o PSOL e o PSTU, a manifestação começou à s 17 horas, na Cinelândia. Tinha como principal reivindicação o cancelamento do aumento da tarifa de ônibus no Rio. Os manifestantes seguiram em caminhada até a Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e depois partiram para a Central do Brasil, onde duas pistas da Avenida Presidente Vargas foram interditadas, complicando o trânsito no centro.
No trajeto, os manifestantes entoaram coros como "eta, eta, eta, se não baixar a tarifa a gente pula a roleta". Um grupo de aproximadamente 20 homens vestidos com roupas pretas, usando máscaras e com bandeiras com o sÃmbolo anarquista era o mais vigiado pelos policiais.
Embora o protesto tivesse o transporte público como tema principal, as reivindicações de cada grupo participante eram múltiplas, com crÃticas aos governos municipal, estadual e federal e aos polÃticos em geral. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) foi criticado em vários discursos. O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) foi menos citado, mas também recebeu crÃticas. Embora figurassem em muitos cartazes e faixas como alvo de crÃticas, a presidente Dilma Rousseff (PT) e o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) não foram citados nos discursos.
Fonte: Estadão Conteúdo