28/07/2019 22h03
Quatro são presos por suspeita de participação em roubo de carga de ouro
A PolÃcia Civil de São Paulo prendeu quatro suspeitos de participar do roubo de 720 quilos de ouro que ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na última quinta-feira, 25. Funcionário do aeroporto, Peterson PatrÃcio, de 33 anos, foi preso no sábado, 27, à noite. O segundo suspeito, que não teve o nome divulgado, foi preso na noite deste domingo, 28. Duas horas depois, foram presos mais dois homens, donos do estacionamento em que caminhonetes usadas para a fuga foram encontradas.
Por volta das 20h50 deste domingo, dois homens foram presos pela polÃcia e levados à sede do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), na zona norte da capital. Eles seriam donos do estacionamento em que caminhonetes usadas para a fuga foram encontrados. O bando usou essas caminhonetes depois de saÃrem do aeroporto em carros que imitavam veÃculos da PolÃcia Federal.
A polÃcia não deu detalhes sobre o motivo das prisões, mas afirmou que a dupla foi detida em flagrante. O estacionamento fica próximo ao Jardim Pantanal, na zona leste da capital.
O primeiro suspeito detido, Peterson PatrÃcio, trabalhava havia sete anos como encarregado de despacho no aeroporto. Seu advogado, Ricardo Sampaio Gonçalves, disse que PatrÃcio não confessou a ele ter participado no crime, mas diz ter sido mantido refém pela quadrilha no dia anterior ao roubo.
"Ele me disse que está muito confuso, que não sabe o que está acontecendo na verdade", afirmou o defensor, que disse ter sido acionado por parentes de PatrÃcio quando soube da prisão. "Uma famÃlia muito simples, de pessoas muito humildes, que não estão entendendo o que está acontecendo."
PatrÃcio foi o primeiro trabalhador do aeroporto a ser eleito pelos funcionários para integrar o Conselho da Administração da Concessionária, que é formado principalmente por executivos e membros da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Eleito em 2014, seu mandato terminou em abril de 2016. O conselho, que é um dos mais importantes da gestão do aeroporto, tem acesso a uma série de documentos, contratos e planos referentes ao aeroporto.
Quando assumiu como membro do conselho, PatrÃcio deu uma entrevista ao jornal do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) e explicou que sua responsabilidade no Departamento de Cargas do terminal era entregar cargas. "Sou fiel depositário, faço a entrega, liberação e expedição das cargas armazenadas no departamento de importação".
Em nota, os delegados Pedro Ivo Correa dos Santos e João Hueb, da 5ª Delegacia Patrimônio (Investigações sobre Roubo a Banco), informaram que não forneceriam mais informações sobre as prisões e o que as motivou para "preservar a investigação e evitar desvios na linha de trabalho.
Em nota, a GRU Airport, concessionária responsável pelo aeroporto, disse cumprir todas as normas internacionais e práticas de segurança pertinentes à segurança do terminal. A empresa ressalta ainda que todas as informações referentes ao episódio ocorrido no último dia 25, no Terminal de Cargas do Aeroporto, estão sendo repassadas à PolÃcia Civil, que está liderando as investigações.
Sequestro
Um dia antes do assalto ao terminal de cargas, segundo relatou à polÃcia, PatrÃcio disse que tinha acabado de sair de casa na Vila Ester, zona leste da capital, acompanhado da mulher, quando foi abordado por um homem armado que dirigia uma ambulância. A mulher foi obrigada a entrar no veÃculo e foi levada.
Em depoimento à polÃcia, PatrÃcio teria contado que um outro homem ficou ao seu lado na rua e disse: "A gente já sabe sua função lá no aeroporto. Queremos que você nos leve até a carga de ouro, que a gente sabe que vai chegar, que vai ser entregue tal dia, tal hora". Com a mulher sequestrada, PatrÃcio disse ter seguido todas as orientações dos criminosos, inclusive não acionando a polÃcia.
No dia seguinte ao inÃcio do sequestro, PatrÃcio foi trabalhar e foi orientado a agir normalmente. Sua função no plano era ajudar a quadrilha a entrar no terminal de carga e indicar onde estava o ouro.
Investigação
Na sexta-feira, 26, a polÃcia já havia apreendido dois carros usados pelos criminosos durante o roubo. A suspeita é de que, logo depois da fuga, os criminosos tenham dividido o material, que estava em uma caminhonete clonada com identificação da PolÃcia Federal, entre os outros dois veÃculos.
Duas viaturas clonadas foram encontradas abandonadas na zona leste da capital, em um terreno na Rua Papiro do Egito. Os investigadores acreditam que o grupo tenha trocado os veÃculos ao menos duas vezes para dificultar a localização pela polÃcia. VeÃculos suspeitos foram vistos circulando em alta velocidade na cidade de Guararema, na região metropolitana de São Paulo.
A PRF estima em 720 quilos a quantidade de ouro levada do local. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da PolÃcia Civil de São Paulo, é o responsável pela investigação.
A polÃcia acredita que ao menos oito pessoas tenham se envolvido diretamente no roubo. Os criminosos portavam fuzis, pistolas e carabinas. O transporte de ouro é considerado rotina da transportadora no aeroporto.
Fonte: Estadão Conteúdo