27/09/2019 18h40
'Redução da letalidade pode acontecer, mas não é obrigatoriedade', diz Doria
Durante entrevista coletiva convocada nesta sexta-feira, 27, em que anunciou nova redução na taxa de homicÃdios no Estado de São Paulo, o governador João Doria (PSDB) afirmou que não é uma meta de sua gestão a redução do caso de mortes provocadas por policiais durante o enfrentamento à criminalidade. Na coletiva, Doria também anunciou a redução na taxa de homicÃdios. Em agosto foi de 6,5 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, o menor Ãndice já registrado desde 2001.
"A redução da letalidade pode acontecer, mas não é obrigatoriedade, porque a polÃcia de São Paulo tem orientação clara, de origem em seus protocolos, tanto na área militar quanto na área civil, o uso progressivo da força", disse. "Naturalmente, na proporção, o Ãndice de letalidade (em São Paulo) é maior porque há circunstâncias de enfrentamento com bandidos na situação de pronta resposta, ele reage e reage com arma de fogo e, nessa circunstância, entre a vida de um bandido e a vida de um policial, quem vai para o cemitério é o bandido."
Entre janeiro e 27 de setembro, segundo a PM, 506 pessoas morreram em ações da PolÃcia Militar classificadas como "morte decorrente de intervenção policial", quando suspeitos são mortos em confrontos. Apesar da fala do governador, o Ãndice é menor do que na comparação com o mesmo perÃodo de 2018, quando houve 642 casos.
Os dados gerais, que incluem números da PolÃcia Civil, ainda não foram divulgados.
Doria foi questionado, mas negou que a coletiva desta sexta tivesse sido convocada para contrapor, de alguma maneira, o cenário paulista com o do Rio de Janeiro, Estado que teve mais de mil mortes praticadas por PMs no primeiro semestre.
O governador Wilson Witzel (PSC) vem enfrentado crÃticas desde a morte da menina Ãgatha Félix, de 8 anos, ocorrida no último sábado, 21, no complexo do Alemão, e que teria sido causada por um tiro de fuzil disparado por policial. Os oficiais alegam que havia confronto no momento do disparo, versão confrontada por pessoas que estavam no local. A PolÃcia Civil investiga o caso e um laudo já comprovou que o tiro partiu de um fuzil, mas não será possÃvel, segundo a perÃcia, saber de que arma foi feito o disparo.
"Tudo isso (as ações policiais) foi feito com uma polÃtica de trabalho e gestão, não foi para estabelecer nenhuma diferenciação especÃfica com esse ou aquele governo, seja estadual ou federal", disse o governador paulista.
Witzel, assim como Doria, é apontado como possÃvel candidato à Presidência em 2022 e, assim como o presidente Jair Bolsonaro, ambos têm discurso de respaldo a ações policiais violentas. Nessa mesma coletiva, Doria rebateu relatório da Ouvidoria das PolÃcias do Estado de São Paulo, divulgado há uma semana, que apontou sinais de possÃvel execução (quando os suspeitos se rendem e são mortos) em quatro das 11 mortes provocadas por PMs em Guararema, no interior do Estado, em abril.
"Não houve nenhum excesso naquele momento em Guararema. A PolÃcia Militar de São Paulo segue rigorosamente os protocolos", disse o governador. Ele ressaltou que as polÃcias paulistas são "legalistas". Os inquéritos que investigam o caso, na PM e na PolÃcia Civil, ainda estão em andamento. Os PMs que participaram da ação foram condecorados pelo governador ainda em abril.
Redução de Ãndices
Doria afirmou que a taxa de homicÃdios no Estado em agosto foi de 6,25 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, o menor Ãndice já registrado desde o inÃcio da série histórica, que começou em 2001. Em agosto de 2018, a taxa era de 7,4 casos por 100 mil habitantes.
Ao todo, 203 pessoas foram assassinadas em agosto, contra 224 em agosto do ano passado. "É um número histórico na vida do paÃs. É um Ãndice usado pela ONU para se avaliar o Ãndice de segurança em regiões em todo o mundo", disse Doria. Ainda de acordo com o governo, o Estado teve uma redução de 45% nos homicÃdios na última década.
Também houve redução nos casos de latrocÃnio, que são os roubos seguidos de morte. Os casos caÃram mais da metade, passando de 23 para 10 ocorrências registradas no mês passado. De acordo com o governo, também caÃram roubos e furtos de veÃculos. Os roubos de veÃculo recuaram 26,3%, de 4.822 para 3.554. Os furtos de veÃculos também diminuÃram 7,67% em agosto. A quantidade passou de 8.561 para 7.904.
Roubo de carga também registrou queda, de quase 21%, passando de 748 para 592. Os roubos a banco passaram de cinco pra um.
Fonte: Estadão Conteúdo