11/07/2019 21h10
Órgão estadual responsável por barragem na Bahia nega rompimento
Uma barragem transbordou na manhã desta quinta-feira, 11, no distrito de Quati, na cidade de Pedro Alexandre (BA), localizado a 437 quilômetros de Salvador. Não há relatos de mortes nem feridos. A cidade vizinha de Coronel João Sá foi atingida por alagamentos e a Prefeitura estima que 150 famÃlias tiveram de deixar suas casas, à s margens do Rio do Peixe.
A Superintendência de Defesa Civil da Bahia (Sudec) negou a informação de rompimento da barragem, que circulou mais cedo. O órgão reconheceu que havia rachaduras na estrutura, mas diz que o excesso de chuvas na região provocou um "galgamento", quando a água transborda a parede do açude.
"Não há rompimento", diz o superintendente-adjunto Vitor Gantois, da Superintendência de Defesa Civil da Bahia (Sudec). "Há rachaduras nas laterais, que ainda não conseguimos vistoriar."
A barragem, que transbordou à s 11h, pertence ao governo do Estado da Bahia. A barragem de água no distrito de Quati. A coordenadora da Defesa Civil de Pedro Alexandre, Carla Leão, diz que a chuva atingiu cerca de 100 milÃmetros em 24 horas na região. "Desde as 7h20 nós já estávamos avisando a população da região. Fomos avisando via internet e ligando para que os moradores deixassem suas residências", disse Carla.
De acordo com a Defesa Civil local, sete casas nos povoados de Quati e Boa Sorte ficaram inundadas e a região segue ilhada pela quantidade de água e lama.
Já em Coronel João Sá, foram ao menos 150 casas atingidas. A chuva ainda atinge a região na noite desta quinta, 11, e o nÃvel do rio continuou subindo ao menos até as 18h50. A cidade decretou situação de emergência e deslocou cerca de 500 pessoas até cinco escolas municipais no local.
Segundo o prefeito de Coronel João Sá, Carlinhos Sobral, não há necessidade de remover pessoas no centro da cidade, e as escolas municipais têm capacidade para receber mais pessoas.
"A prioridade, nesse momento, é fornecer assistência à s pessoas: colchão, cobertores, mantimentos, água e roupas", disse o prefeito. "Quando as águas baixarem, e não sabemos se isso vai acontecer amanhã (sexta) é que nós vamos ter uma noção dos prejuÃzos causados, tanto ao municÃpio quanto à s pessoas."
Na cidade, de 17,5 mil habitantes, as pessoas foram sendo avisadas sobre "um rompimento" da barragem por mensagens de celular. "Estava almoçando quando vi um vÃdeo do prefeito pedindo para a cidade ser evacuada", conta o professor Seltom Romulo Andrade de Abreu, de 34 anos. Ele, que é dono de uma escola na cidade, foi correndo para o local de trabalho, que era um dos pontos baixos da cidade e passÃvel de ser alagado. "Como a barragem fica distante, a água não chegou de uma vez. Foi alagando", conta.
Dessa forma, deu tempo para que ele e vizinhos, em solidariedade, retirasse móveis e computadores. "A primeira coisa que eu peguei foram os documentos, que não daria para recuperar", conta. "Estava chovendo há uma semana. No lugar onde fica a escola, nunca havia alagado antes", contou o professor, no começo da noite, por telefone, enquanto estava no ginásio da cidade, para onde os desabrigados foram levados. "Arrumaram alimentação e roupas para as pessoas aqui, mas a água está baixando", afirmou.
Segundo a Secretaria de Assistência Social do municÃpio, a operação para retirada dos moradores à beira do Rio do Peixe teve inÃcio à s 7h, quando o municÃpio foi informado sobre o risco iminente na barragem. Uma idosa que mora em uma rua atingida pela enchente quase se afogou, segundo a Prefeitura, mas o Corpo de Bombeiros, conseguiu resgatá-la.
De acordo com a Secretaria de Comunicação do governo da Bahia, a barragem do Quati foi construÃda pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculado ao governo estadual, e entregue em novembro de 2000 à Associação de Moradores da Comunidade de Quati. É uma barragem pequena, com menos de 200 hectares, e não chega a ser classificada dentro da Lei Nacional de Barragens.
Ainda segundo o governo, o que houve nesta quinta foi um transbordamento devido aos temporais dos últimos dias, mas a barragem não chegou a romper. Em nota, foi informado que o governador Rui Costa (PT) irá visitar na manhã desta sexta as cidades de Coronel João Sá e Pedro Alexandre, afetadas pelas fortes chuvas e pelo transbordamento da barragem. O governo estadual disse, ainda, que responsabilidade sobre a barragem é do municÃpio, uma vez que foi entregue à comunidade.
Foram enviados efetivos do Corpo de Bombeiros, técnicos da Defesa Civil Estadual e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos HÃdricos (Inema). O governador também prometeu o envio de mantimentos e água mineral para Coronel João Sá.
A Agência Nacional de Ãguas (ANA) disse que a barragem não consta do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (Snisb) e que, portanto, não tem informação sobre risco ou dano potencial da sua estrutura. Em nota, a agência informou que tomou conhecimento do problema na barragem Quati e que acompanha a situação.
A Sudec informou que a grande quantidade de lama nas estradas dificulta o acesso e o atendimento à população. Temendo que o lamaçal alcance a cidade, o prefeito de Coronel João Sá, Carlinhos Sobral, usou as redes sociais para alertar a população a procurar ajuda. Na postagem, o gestor cita as escolas municipais disponÃveis para acolher a comunidade.
A água bloqueou a rodovia BR-235, na altura do quilômetro 25, trecho que liga os municÃpios de Jeremoabo (BA) e Carira (SE). Segundo a PolÃcia Rodoviária Federal (PRF) na Bahia, a estrada está intransitável nos dois sentidos por causa do transbordamento do Rio do Peixe. Uma equipe da PRF foi deslocada até o local.
Uma moradora de Coronel João Sá diz que a água na cidade segue subindo na tarde desta quinta, cerca de cinco horas após a barragem apresentar problemas. "A cada minuto que passa, a água está subindo mais", diz a lavradora Sirleide da Silva. "Muita gente perdeu os móveis"
Fonte: Estadão Conteúdo