26/04/2018 12h10
Risco de ser vítima de crime violento cresce em 54 cidades paulistas
De 2014 para cá, cidadãos de 54 cidades de São Paulo se tornaram mais expostos à violência, passando a conviver com uma rotina em que é cada vez mais frequente o registro de roubos, estupros e homicÃdios. A constatação é de um estudo inédito do Instituto Sou da Paz, antecipado com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo. Dados de crimes violentos compilados pelos pesquisadores da ONG mostraram que o Estado como um todo teve uma melhora na segurança.
O Ãndice de Exposição a Crimes Violentos (IECV) é composto por uma média ponderada de registros de homicÃdios e latrocÃnios (IECV Vida), estupros (IECV Dignidade Sexual) e roubos, roubos de veÃculo e de carga (IECV Patrimônio). Todos esses crimes têm como caracterÃstica em comum a violência ou grave ameaça com as quais são praticados, e por isso foram escolhidos para compor um Ãndice cujo objetivo é mensurar com mais precisão a sensação de insegurança. A divulgação do dado ocorrerá trimestralmente no Estado, em parceria firmada com o Sou da Paz.
As estatÃsticas de 138 cidades paulistas - todas que têm mais de 50 mil habitantes - mostraram como a criminalidade se comportou em diferentes regiões paulistas e o que é preciso para fazer que a diminuição da violência, mais explÃcita na capital com a queda nos homicÃdios, avance uniformemente também no interior e no litoral.
O diretor executivo do Instituto Sou da Paz, Ivan Marques, destaca que a percepção da violência afeta a vida das pessoas de formas diferentes, mas que a sensação de insegurança é uma só. "As causas da insegurança são muitas. Então nossa intenção, ao reunir diferentes crimes em um só número, é tentar medir como a ação criminosa afeta determinado território, levando a essa sensação de insegurança. Assim, o Ãndice se transforma em uma espécie de termômetro, dizendo quem tem mais ou menos risco de também se transformar em vÃtima", afirma.
O IECV de 2017 mostrou que a liderança do ranking das mais violentas pertence à cidade de Lorena, no Vale do ParaÃba (mais informações na pág. A18), onde o Ãndice foi de 54,4 - a média geral de São Paulo ficou em 21,3. O número de Lorena leva em consideração, por exemplo, o fato de o municÃpio de 87 mil pessoas ter uma das mais elevadas taxas de homicÃdios do Estado: 31,8 por 100 mil habitantes. Pesaram na conta os 464 roubos registrados no ano passado.
A comparação dos Ãndices de 2017 com o que foi registrado em 2014, também elaborado de forma retroativa pelos pesquisadores, mostrou que em 54 cidades a exposição a crimes violentos aumentou no perÃodo. Além de Lorena, que foi a terceira com maior alta no Ãndice (78,5%), cidades próximas como Campos do Jordão (147,2%) e Cruzeiro (46,8%) também estão com a segurança pública mais fragilizada.
Marques diz que, a partir da análise do que foi apresentado pelo Ãndice, algumas regiões se revelaram como prioridades para uma possÃvel intervenção em polÃticas públicas de segurança. "Três dos dez municÃpios onde a exposição aos crimes mais cresceu estão na região de São José dos Campos. Então, precisamos ter essa atenção."
Queda
Soluções podem ser apresentadas com base na observação do que funcionou com municÃpios que conseguiram reduzir o Ãndice, destaca o diretor do instituto. Entre 2014 e 2017, a queda foi mais acentuada em Ibitinga (54,1%), Valinhos (46,9%), Atibaia (46,7%) e Itatiba (46,1%).
O que impediu uma queda mais significativa no Estado, que saiu de 23 para 21,3 no Ãndice em três anos, foram os estupros. Esse tipo de crime foi um dos dois únicos que subiram nas estatÃsticas da criminalidade em 2017. Trinta casos foram registrados por dia no Estado no ano passado, chegando ao recorde de 11.089 crimes - o IECV Dignidade Sexual saiu de 35,7 em 2014 para 38,3 em 2017.
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública destacou "que vem aperfeiçoando os atendimentos e acolhimentos à s vÃtimas" e destacou o avanço das denúncias com as campanhas de esclarecimento. Quanto aos dados gerais do novo Ãndice, frisou que "diversas polÃticas públicas de segurança vêm sendo implementadas para que São Paulo apresentasse a menor taxa de homicÃdios do PaÃs". Em nota oficial, citou também contratação de policiais e aquisição de viaturas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo