03/02/2017 10h00
RN tem uma morte a cada três horas e meia e bate recorde
A cada três horas e meia do mês passado, uma pessoa foi assassinada no Rio Grande do Norte. O número de homicÃdios, cuja maioria teve uma ou mais armas de fogo como instrumento causador, chegou a 208. No mesmo perÃodo do ano passado foram 147 assassinatos. O aumento contabilizado pelo Observatório da Violência Letal Intencional do Rio Grande do Norte (Obvio) chegou a 41,5%. A Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) ainda não divulgou os números de homicÃdios em janeiro.
A morte de 26 presos na maior rebelião da história da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal, engrossou a estatÃstica. Mas não foi, entretanto, a maior causadora do aumento dos casos. A guerra do tráfico e a falta de estrutura da Segurança Pública são apontados por especialistas como principais causadores da escalda da violência no estado potiguar.
"Continua a sequência de violência iniciada em 2016. A falta de planejamento custa caro e quem paga é o contribuinte. A escassez de investimentos gera mais violência e criminalidade", analisou o especialista em segurança pública e diretor do Obvio, Ivênio Dieb Hermes. Ele destacou, ainda, que o mês de janeiro de 2017 foi o mais violento desde que os homicÃdios passaram a ser contabilizados no Rio Grande do Norte.
Nas ruas da capital, os cidadãos ainda temem novos ataques com a saÃda dos militares das Forças Armadas. Os quase dois mil homens deverão voltar à s suas bases neste sábado. "Eu não acredito que acabou. Os presos podem se rebelar mais uma vez. Quando os militares saÃrem, poderemos voltar ao pesadelo do mês passado", comentou o professor Kassios Costa. Ele é morador de uma das regiões afetadas pelos atos de vandalismo mês passado, durante a rebelião.
O saldo da destruição entre os dias 14 e 20 de janeiro, conforme dados da Sesed, foi de 26 ônibus e microônibus parcial ou totalmente destruÃdos pelo fogo. Cinco carros oficiais depredados e queimados e cinco prédios públicos alvos de ação de vândalos. Desde o dia 21 de janeiro, com a chegada das Forças Armadas, nenhum novo atentado foi registrado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo