07/10/2016 08h57
Santos dedica Nobel ao povo e diz que prêmio é estímulo para a paz na Colômbia
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou nesta sexta-feira que estava profundamente honrado por ter recebido o Nobel da Paz. A autoridade dedicou o prêmio a seu paÃs e disse que ele é um grande estÃmulo para a paz. "Eu recebo isso com grande emoção", disse Santos à Fundação Nobel em entrevista por telefone divulgada em sua conta no Facebook. "Este é um grande, grande reconhecimento para meu paÃs. Estou eternamente grato."
Santos foi agraciado por seus esforços para acabar com uma guerra civil de mais de 50 anos na Colômbia. O governo de presidente conseguiu fechar um acordo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para que a guerrilha entregasse suas armas, porém os termos da iniciativa foram rejeitados em referendo no paÃs no último domingo.
"Eu recebo o prêmio em nome dele: o povo colombiano que tem sofrido muito nesta guerra", disse Santos hoje. "Especialmente os milhões de vÃtimas que sofreram nesta guerra que está prestes a terminar."
Na quarta-feira, milhares de colombianos fizeram marchas pelas ruas do paÃs para pressionar o governo, as Farc e a oposição a chegarem a um consenso para salvar a iniciativa. Um grupo de algumas dezenas de ativistas acampa na Plaza BolÃvar pelo mesmo motivo.
Várias autoridades da Organização das Nações Unidas parabenizaram Santos, durante uma entrevista coletiva regular da entidade em Genebra. Porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, Rupert Colville disse esperar que o prêmio possa dar um "impulso" à paz no paÃs sul-americano. Em Berlim, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, parabenizou Santos, qualificando-o como um "homem com uma visão para seu paÃs", disse o porta-voz Steffen Seibert a repórteres.
Muitos na Colômbia acreditavam que Santos ganharia o Nobel da Paz após a assinatura do acordo de paz com as Farc em 26 de setembro, diante de uma plateia com uma série de lÃderes internacionais e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Eles avaliavam, porém, que as chances haviam diminuÃdo com a rejeição ao acordo em referendo em 2 de outubro.
O Comitê Norueguês do Nobel afirmou que a rejeição do acordo com as Farc não significa o fim do processo de paz na Colômbia. "O referendo não foi um voto a favor ou contra a paz", disse o comitê. "O que o lado do 'não' rejeitou não foi o desejo pela paz, mas um acordo de paz especÃfico", afirmou a entidade. Segundo o comitê, mesmo com a derrota na votação popular, o presidente conseguiu levar "o sangrento conflito significativamente mais perto de uma solução pacÃfica".
Santos, de 65 anos, é um improvável pacificador. Com estudos em Harvard e integrante de uma das famÃlias mais ricas da Colômbia, ele foi ministro da Defesa há uma década e foi o responsável por algumas das maiores derrotas militares das Farc. Um dos episódios famosos do perÃodo foi uma operação militar colombiana que entrou em território do Equador para matar um importante lÃder rebelde e outra foi o resgate de três norte-americanos que eram reféns dos rebeldes havia mais de cinco anos.
No âmbito do acordo negociado, os rebeldes que entregassem suas armas e confessassem seus crimes de guerra não iriam para a prisão. Além disso, as Farc teriam direito a dez vagas no Congresso até 2026, para que o grupo fizesse uma transição para se tornar um movimento polÃtico.
A guerra civil já matou mais de 200 mil colombianos. O comitê do Nobel disse que o prêmio deve ser visto como "um tributo para o povo colombiano que, apesar das grandes dificuldades e dos abusos, não desistiu da esperança de uma paz justa, e para todas as partes que contribuÃram para o processo de paz". O comitê não citou o lÃder das Farc, Rodrigo Londoño. Santos e Londoño firmaram o acordo de paz no mês passado. Fonte: Associated Press.
Fonte: Estadão Conteúdo