08/02/2016 22h45
Sapucaí tem desfiles de tom político
A noite mais forte do carnaval carioca deste ano - Portela, Mangueira, Imperatriz e Salgueiro somam nada menos que 55 tÃtulos -, vai retomar os temas polÃticos. A Vila Isabel, que acaba de entrar na avenida, contará a vida de Miguel Arraes (1916-2005), três vezes governador de Pernambuco. A homenagem foi sugerida por Martinho da Vila, presidente de honra e um dos autores do samba da escola.
Já a São Clemente promete replicar, ao fim do desfile, os panelaços que tomaram
o PaÃs no ano passado contra o PT e a presidente Dilma Rousseff, com o carro O Manifesto do Palhaço. Seu enredo é "Mais de mil palhaços no salão." A autora é a carnavalesca Rosa Magalhães.
Com coreografia de Jaime Arôxa, a comissão de frente da Vila representa no Sambódromo um cortejo fúnebre, com toques tÃpicos do sertão nordestino. Atos polÃticos de Arraes, chamado de pai Arraia pelos sertanejos, estarão retratados ao longo do desfile, como a luta para que usineiros pagassem salário mÃnimo aos trabalhadores.
A escola de Vila Isabel também se inspirou nas riquezas naturais e Pernambuco, onde o cearense Arraes viveu boa parte da vida, incorporando caatinga, mangue e praia. Referências de maracatu e frevo vão se misturar ao samba de Martinho, André Diniz, Mart'nália, Arlindo Cruz e Leonel.
A noite continua com Salgueiro, com sua "Ópera dos Malandros" povoada de dançarinas de cabaré, batuqueiros e boêmios. Vice-campeã do ano passado a escola busca o tÃtulo que não consegue desde 2009, quando tomou a avenida com "Tambor".
Além do protesto - a última ala deve se unir à bateria, batendo em panelas -, a São Clemente vai lembrar os caras-pintadas, marcantes no processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. Caras-pintadas e palhaços estarão juntos numa grande manifestação na avenida.
A Portela, por sua vez, vai narrar parte da história do mundo e a sua própria em um enredo pensado para quebrar o jejum de três décadas sem tÃtulos. Do Egito Antigo à s Grandes Viagens dos séculos 15 e 16, da Amazônia ao Deserto.
A noite será finalizada com duas homenagens: a Imperatriz louva a origem sertaneja da dupla Zezé Di Camargo e Luciano e a Mangueira faz um tributo à religiosidade da cantora Maria Bethânia.
Fonte: Estadão Conteúdo