26/08/2020 10h31
Secretário de SP defende que professores sejam grupo prioritário para vacinação
O secretário da Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, defendeu a inclusão dos professores no grupo prioritário de vacinação assim que um imunizante contra a covid-19 estiver disponÃvel no PaÃs. "Os profissionais da saúde, professores e policiais, que trabalham com o público, devem ser públicos prioritários, além daquelas pessoas com mais de 60 anos e que têm comorbidades", disse em entrevista à Rádio Eldorado, na manhã desta quarta-feira, 26.
Para o Estado de São Paulo, o calendário de volta à s aulas com atividades não-obrigatórias em 8 de setembro e retomada das aulas presenciais em outubro está mantido. Isso será possÃvel para as regiões que estiverem há pelo menos 28 dias na fase 3 (amarela) do plano estadual de flexibilização da quarentena, que tem cinco fases, com o retorno de até 35% dos alunos.
Mas, enquanto o Brasil não tiver uma vacina registrada, os profissionais de ensino que fazem parte do grupo de risco não deverão retornar à s atividades no Estado. "No mês de outubro, não poderão retornar aqueles no grupo de risco. Os demais poderão retornar, no sistema de rodÃzio. A gente vai ter um reforço de contratação de professores para reorganizar a carga horária dos nosso profissionais", informou Soares.
De acordo com o secretário, as determinações e protocolos dependerão da demanda para o atendimento dos alunos, dos casos individuais de cada professor, e, principalmente, do comportamento da pandemia e de uma possÃvel vacina. Por ser o segundo paÃs com mais infectados no mundo e também ter laboratórios de referência, o Brasil tem sido bastante requisitado para auxiliar no desenvolvimento de alguns desses imunizantes.
Quatro estão sendo testados aqui no Brasil: as vacinas da Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca e a Fiocruz (inglesa), a da Sinovac em parceria com o Instituto Butantã (chinesa), a da BioNTech/Pfizer (alemã/americana) e, mais recentemente, a desenvolvida pela Janssen Pharmaceuticals (belga/americana), do grupo Johnson&Johnson. São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, BrasÃlia, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul são algumas das regiões que contam com voluntários participando dos testes.
Retorno simultâneo
O secretário Rossieli Soares também afirmou que a autorização para a volta às aulas será dada no mesmo momento para escolas particulares e públicas. "Eu acho que a igualdade precisa ser preservada. Não dá para dizer que a privada pode voltar antes. Quando autorizarmos, será para todas", disse.
Soares defendeu a simultaneidade no retorno após ser questionado sobre a ação judicial do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (SIEEESP) para que retomassem as atividades presenciais na capital paulista em 8 de setembro. O Tribunal de Justiça do Estado (TJ-SP) negou o pedido na última sexta-feira, 21.
A decisão do SIEESP foi tomada após o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciar, no dia 18, que as aulas na capital não retornariam em setembro, sob a alegação de que crianças e adolescentes ainda representam risco potencial de transmissão do novo coronavÃrus. A afirmação teve base no inquérito sorológico realizado pela Prefeitura com 6 mil estudantes entre 4 e 14 anos da rede municipal, que apontou que 16,1% têm anticorpos para o novo coronavÃrus. Do total, 64,4% são assintomáticos para a covid-19, dado que preocupa a gestão pela possibilidade de disseminação.
O secretário da Educação afirmou ainda que os indicadores do Estado em relação à evolução da pandemia estão sendo avaliados periodicamente e que a equipe saúde determinará o retorno e seus respectivos protocolos sanitários. Soares afirmou que há a chance de a capital paulista entrar na fase verde do Plano São Paulo já no mês de setembro.
Por fim, ele defendeu mais uma vez a volta à s aulas, apontando que, "apesar de esforços incrÃveis de professores, diretores, escolas, as perdas são gigantescas". "Nós sabemos que há muitos alunos que não têm condições de acessar as aulas online, e sabemos que alguns municÃpios não conseguiram fazer nada, então precisamos pensar em outras possibilidades."
Soares explicou que o governo está montando uma metodologia de ensino para conciliar aulas remotas e presenciais, com reorganização de tarefas, contratação de professores, que será apresentada no próximo mês. Ele acrescentou que o cronograma de retorno priorizará, no inÃcio, a saúde mental dos alunos, com atividades de acolhimento, e o diagnóstico do nÃvel de aprendizagem de cada um. "Não podemos esquecer que outros problemas nascem com a não volta as aulas também", finalizou.
Fonte: Estadão Conteúdo