04/06/2016 09h09
Secretário paulista é criticado por ligar abuso e crise
A declaração do recém-empossado secretário da Segurança Pública de São Paulo, Mágino Alves, relacionando a crise econômica com o estupro, foi criticada por defensoras dos direitos da mulher. Em entrevista à coluna Direto da Fonte, publicada ontem, Alves disse que uma das "causas" do estupro é o desemprego.
Para HeloÃsa Buarque de Almeida, professora de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP) e estudiosa de gênero, o secretário revelou "desinformação" e "despreparo" para assuntos como violência contra a mulher. Segundo ela, vários estudos comprovam que esse tipo de violência "sempre aconteceu, independentemente de crise". "Em 2015 (ano crÃtico da crise econômica), por exemplo, foram feitas menos denúncias de violência sexual do que em 2014. E, se fosse culpa da crise, paÃses desenvolvidos não teriam estupro", destacou.
LuÃse Bello, publicitária e gerente de conteúdo e comunidade do Think Olga, grupo feminista, reforçou que a declaração foi "absolutamente irresponsável". "É muito preocupante que uma pessoa que tenha capacidade de falar isso esteja no comando das polÃcias de São Paulo."
Para LuÃse, a explicação do secretário revelou ainda a "ignorância" de autoridades no assunto. "Estupro é um crime que é feito, na maioria das vezes, por pessoas que fazem parte do cÃrculo da famÃlia, dos amigos, dos pais. Há certa ignorância sobre esses dados, mas o Brasil tem estudos sobre o assunto." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo