18/03/2015 21h25
Sem-teto fecham rodovias contra ajustes de Dilma
O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) bloqueou nesta quarta-feira avenidas e rodovias em sete Estados em protestos contra "polÃticas antipopulares" do governo Dilma Rousseff, como o ajuste fiscal, em reação à s manifestações de domingo, consideradas "golpistas", e em defesa da "reforma urbana", por meio da ampliação do Minha Casa Minha Vida. Foram 23 pontos de interdição no PaÃs. Segundo o MTST, os atos mobilizaram 20 mil sem-teto.
Os manifestantes fizeram barricadas com pneus queimados e incendiariam bonecos que representavam os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, das Cidades, Gilberto Kassab, e da Agricultura, Kátia Abreu. Os bloqueios se espalharam por São Paulo, Rio, Minas, Paraná, Bahia, Ceará e ParaÃba. Mais protestos devem ser realizados na quinta-feira e nas próximas semanas.
Os atos fizeram contraposição à s manifestações de domingo, quando uma multidão em todos os Estados do PaÃs foi à s ruas contra Dilma. "Não vamos assistir calados ao aumento da intolerância, do preconceito, do ódio social, a defesa de intervenção militar e de golpismo. Esse tipo de posição e de pauta vai encontrar uma resistência brava e decidida por parte dos movimentos populares", afirmou Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST, durante coletiva em São Paulo. O ajuste fiscal também pautou as manifestações. "A terceira fase do Minha Casa, Minha Vida, com três milhões de moradias, ainda não foi lançada, apesar do acordo com o governo durante os atos na Copa do Mundo, no ano passado. Em vez disso, estamos vendo lançamento de polÃticas de ajustes antipopulares, que não condizem com o que a presidente prometeu durante a campanha eleitoral", afirmou Natália Zermeta, coordenadora nacional do MTST.
Segundo ela, as medidas do governo Dilma têm afetado as classes mais baixas, com o aumento, por exemplo, do preço da gasolina e dos aluguéis. O movimento afirma também que o ajuste fiscal de Levy vai afetar programas sociais. "Somos contra o ajuste antipopular do governo que já afetou programas como o Minha Casa Melhor, além de ter adiado até aqui o lançamento do Minha Casa, Minha Vida Três", disse o coordenador do MTST no Ceará, Róger Medeiros.
Outras reivindicações eram a ampliação das unidades destinadas a famÃlias de baixa renda e à modalidade Minha Casa Minha Vida Entidades, além da construção de habitações de maior qualidade e mais bem localizadas. "No ano passado, após uma ocupação em São Gonçalo, fechamos acordo para a construção de mil moradias. A gente precisa dos recursos e do terreno", disse Vitor Guimarães, um dos coordenadores do MTST no Rio.
O Dia Nacional de Lutas reuniu diversos movimentos sociais. Em Minas, aderiu aos atos o Movimento Sem Teto do Brasil (MSTB). Houve bloqueios com pneus queimados pela manhã nas BR-050, 262, 365 e 497, no Triângulo Mineiro. Em Araxá, fecharam a BR-452. Integrantes do Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e das Brigadas Populares bloquearam as rodovias da Grande Belo Horizonte e as liberaram às 14 horas. Em Fortaleza, os sem-teto protestaram na frente do Palácio da Abolição, sede do governo estadual. O grupo também bloqueou a BR-116.
Com a participação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto da Bahia (MSTB) e do Movimento Passe Livre (MPL), um grupo de manifestantes acampou hoje no estacionamento da Secretaria Estadual da Educação, em Salvador. O MTST fechou a BR-101 em Niterói, no Rio, hoje. Para bloquear a rodovia, os manifestantes atearam fogo a pneus. O protesto causou congestionamento de 6 km na rodovia e reflexos até em São Gonçalo, cidade vizinha. O grupo também cobrou o lançamento da terceira fase do Minha Casa, Minha Vida. Em Curitiba, o Movimento Popular por Moradia (MPM) fechou por três horas e meia os dois sentidos do Contorno Sul, na BR-376, ligação da capital com o interior. (Colaboraram Carina Bacelar, Tiago Décimo, Julio Cesar Lima, Carmem Pompeu, Leonardo Augusto e René Moreira, especiais para Estadão Conteúdo)
Fonte: Estadão Conteúdo