21/12/2020 08h52
Ser humano já consome plástico até na cerveja
Não há como escapar. Está no ar, no açúcar, no sal, na água de torneira, na cerveja gelada. A presença de micropartÃculas de plásticos já faz parte do cotidiano de qualquer cidadão do mundo. Estima-se que, ao longo de um ano, cada pessoa tenha ingerido algo entre 74 e 121 mil partÃculas desse material.
Em agosto do ano passado, a Organização Mundial da Saúde divulgou o relatório Microplastics in drinking-water (Microplásticos na água potável), no qual analisa mais de 50 estudos sobre a presença de partÃculas e fibras plásticas em águas naturais, potáveis e de esgoto. O objetivo do relatório era avaliar os riscos à saúde.
Por enquanto, não há consenso sobre como esse material tem afetado a vida humana. PartÃculas acima de 150 micrômetros são facilmente excretadas pelo organismo e, assim, não representariam grande risco à saúde. O que se sabe é que temos ingerido essas micropartÃculas por meio de ingestão e inalação. E comer plástico não parece a melhor das ideias.
Entre os dados consolidados pela organização Oceana estão resultados de uma pesquisa feita no ano passado por cientistas do Departamento de Biologia da Universidade de Victoria, no Canadá, que analisou as quantidades dessas partÃculas e diversos produtos e substâncias. A água engarrafada aparece no topo da lista daqueles que apresentaram maior presença de microplástico, seguida por cerveja, ar, água de torneira, frutos do mar, açúcar e sal.
Um estudo da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia da Universidade de Medicina de Viena, na Ãustria, encontrou partÃculas de microplásticos em fezes humanas em indivÃduos em oito paÃses diferentes: Finlândia, Itália, Japão, Holanda, Polônia, Rússia, Reino Unido e Ãustria.
"Todos eles tinham tido contato com comida embalada por plástico e seis haviam comido peixes e frutos do mar durante o perÃodo de observação do experimento. Cerca de 95% das fezes continham 20 partÃculas de microplástico a cada 10 gramas", afirma o relatório.
Animais
Os dados sobre os prejuÃzos à vida marinha são bem mais visÃveis. Entre 2015 e 2019, foram feitas 29.010 necropsias de aves, répteis e mamÃferos marinhos encontrados nas praias das regiões Sul e Sudeste do Brasil.
Desse total, 3.725 animais, entre golfinhos, baleias, aves e répteis, tinham ingerido detritos plásticos. Treze por cento deles tiveram a morte diretamente associada ao consumo desses materiais.
A projeção é de que existam, pelo menos, 5 trilhões de pedaços de plásticos nos mares. A maior parte desse material está dispersa e é formada por pedaços pequenos demais (até um milÃmetro) para serem coletados por limpezas de praia ou em alto-mar. O material leva centenas de anos para se decompor.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo