17/06/2015 21h25
Servidores de mais quatro universidades federais anunciam boicote ao Sisu
Servidores técnico-administrativos de mais quatro universidades federais anunciaram nesta quarta-feira, 17, que não vão fazer as matrÃculas do segundo semestre do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Em greve desde maio, os sindicatos veem a ação como uma forma de pressionar o governo a negociar as demandas da categoria.
A matrÃcula deve ser feita nesta sexta-feira, 19, segunda e terça-feira da semana que vem, 22 e 23. Se as universidades não formalizarem o ingresso dos alunos, todo o sistema pode ser prejudicado, uma vez que o Sisu permite que um mesmo aluno tente vaga em mais de uma instituição. Os estudantes que fizeram o Enem em 2014, inscreveram-se no Sisu do segundo semestre de 2015 e foram aprovados precisam fazer a matrÃcula presencial na universidade onde pretendem estudar. Essa etapa é que está ameaçada com a greve.
A medida foi anunciada pelas universidades federais de Santa Catarina (UFSC), Piauà (UFPI), Juiz de Fora (UFJF) e Ouro Preto (Ufop). O Estado mostrou nesta que ela já havia sido anunciada pelas duas universidades com maior número de inscritos, a de Minas Gerais (UFMG) e do Rio de Janeiro (UFRJ), e também pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e a Federal Fluminense (UFF). A federal do Rio Grande do Sul (UFRG) vota nesta quinta em assembleia se também vai boicotar as matrÃculas.
"O número de universidades com boicote à s matrÃculas pode ser ainda maior. Essa ação é de responsabilidade do governo, que não dialoga com a categoria e deixou as instituições em crise, sem condições de funcionamento", disse Gibran Ramos Jordão, diretor da Federação dos Sindicatos de Trabalhadores Técnicos-Administrativos em Instituições de Ensino Superior do Brasil (Fasubra).
Na UFSC, o sindicato dos servidores informou que não vai fazer nenhuma "ação radical" para impedir as matrÃculas. No entanto, disse que a adesão à greve é crescente, e os alunos devem ter dificuldades para conseguir efetuar as matrÃculas.
Na UFPI, esse será o segundo ano em que as matrÃculas do segundo semestre do Sisu são suspensas por causa de uma greve. No ano passado, o registro atrasou e a universidade teve de estender o prazo.
Em nota, o MEC informou que, ao participarem do Sisu, as instituições têm de assegurar o direito do estudante à matrÃcula e disse que ainda não tem "informação" de que a greve possa afetar o processo. O ministério informou que, na paralisação de 2012, a UFRJ garantiu a matrÃcula dos alunos por meio de um sistema online, com comprovação documental posterior.
Greve
A paralisação dos técnicos afeta 48 instituições federais. A categoria reivindica reajuste de 27,3% no piso salarial. Também é contrária aos cortes nos orçamentos das universidades e à expansão da terceirização no serviço público.
Fonte: Estadão Conteúdo