15/02/2021 17h58
Sociedade Brasileira de Pediatria lança documento para orientar volta às aulas
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou nesta sexta-feira, 25, um documento com orientações para a volta à s aulas que inclui a criação de comitês, com representantes das áreas de saúde e educação, para verificar os protocolos de higiene para o novo coronavÃrus das unidades e defendeu a adoção do modelo hÃbrido de aulas, com atividades presenciais e online.
A entidade recomenda que os planos de volta à s aulas mantenham o foco na situação epidemiológica de cada localidade e que as escolas devem estar preparadas não só para fazer a triagem de sintomas dos alunos, mas ter espaços para acolher crianças e adolescentes caso eles manifestem os sintomas durante o perÃodo em que estiverem na escola.
"O primeiro ponto que a gente não pode esquecer é que o assunto é complexo e não pode ser tratado com simplicidade. Mesmo com as evidências, até o momento, de que os locais que retomaram as aulas não houve muito impacto na saúde das crianças, precisamos pensar que ainda estamos aprendendo sobre a covid-19. Não é uma questão de risco zero", explica Edson Liberal, segundo vice-presidente da SBP.
Os comitês com a participação da comunidade escolar e de profissionais da saúde teria a função de visitar as escolas e verificar a quantidade de banheiros e pias, capacidade fÃsica das unidades, os protocolos de higiene e a adoção de medidas preventivas.
As escolas devem exigir o uso de máscaras nas faixas etárias que já têm condições de utilizá-las - a entidade recomenda o uso por crianças apenas acima de 2 anos, mas com supervisão de adultos entre 2 e 5 anos -, garantir um espaço de um a dois metros entre as cadeiras e orientar os pais para que eles reconheçam sintomas. A SBP sugere ainda que as unidades de saúde ofereçam testes diagnósticos para crianças sintomáticas.
"A ideia de fazer o comitê é para que cada escola tenha um grupo para ver se a unidade está em condição para fazer o distanciamento e cuidados de higiene. Tem Estados que estão começando a receber agora uma verba extra e sabemos que há escolas com estrutura deficitária em relação a banheiro, por exemplo. Mas os comitês devem existir nas escolas públicas e privadas."
O pediatra diz que a reabertura das escolas precisa ser pensada de forma ampla, superando as ações apenas nas unidades, pois a operação envolve uma grande movimentação de pessoas e esses fatores também têm de ser avaliados.
"Nosso meio de transporte é completamente diferente do da Europa. Os transportes de massa, como metrôs e ônibus, já estão superlotados. Quando abre a escola, muitas pessoas são colocadas nas ruas."
Segundo Liberal, a oferta do ensino hÃbrido, com a possibilidade de aulas remotas para famÃlias que não pretendem mandar os filhos para a escola, é algo que precisa ser mantido após a retomada.
"Sempre vai depender da questão epidemiológica, mas uma criança de grupo de risco não deve ir para a escola. O ensino deveria ser hÃbrido, mas sabemos que as pessoas de baixa renda muitas vezes têm um celular que é compartilhado por todos. A escola pode trabalhar em pequenos grupos, mas a famÃlia tem de ter opção de não levar a criança e ter direito ao ensino remoto, porque tem razões para estar insegura. São quase 140 mil mortes."
Tendo as condições de reabertura, com queda na taxa de infecção, de óbitos e de ocupação dos leitos de UTI, as famÃlias que querem mandar os filhos para as escolas também devem ter esse direito, na avaliação de Liberal.
"Se a escola está em condições, o aluno mora perto da escola ou vai em transporte individual e vai ter mais benefÃcios voltando para a escola, vai voltar. É uma questão a ser analisada caso a caso."
PrejuÃzos do fechamento das escolas
No documento, a sociedade destaca a importância da volta à s aulas presenciais para as crianças e adolescentes e cita os prejuÃzos causados pela interrupção das atividades escolares durante a pandemia.
"O prejuÃzo causado pelo fechamento das escolas para as crianças é inequÃvoco, especialmente quando se prolonga por muito tempo, como atualmente ocorre na maior parte do Brasil. Evasão escolar, impactos cognitivo e pedagógico, risco de violência, depressão e outros distúrbios da saúde mental, agravos nutricionais, necessidade de abandono do emprego pelos pais para cuidar das crianças, entre outros, se relacionam à s graves consequências associadas ao fechamento dos estabelecimentos de ensino", enumera o documento.
Fonte: Estadão Conteúdo