06/12/2018 21h10
STJ decide em ação secular que Palácio Guanabara é da União
A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu nesta quinta-feira, por unanimidade, que o Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, pertence à União. A famÃlia Orleans e Bragança pleiteava desde 1895 na Justiça a devolução ou a indenização pela tomada do palácio pelo governo brasileiro após a Proclamação da República. Este é considerado o caso judicial mais antigo em tramitação no Brasil. Com a decisão, os ministros rejeitaram a possibilidade de indenização aos Orleans e Bragança, que ainda podem recorrer.
Por 4 votos a 0, ficou mantida a decisão que reconheceu que a famÃlia possuÃa o domÃnio para uso e habitação, mas que a propriedade sempre foi do Estado. Os recursos discutem se o Palácio Guanabara estava incluÃdo entre os bens privados da famÃlia imperial na Proclamação da República ou se era bem público destinado apenas à moradia, finalidade que teria perdido com a queda da monarquia.
Os herdeiros alegavam que o decreto presidencial proibindo a famÃlia da Princesa Isabel de possuir imóveis no Brasil não estabeleceu pena de confisco em caso de desatendimento da obrigação de liquidar os que possuÃa. A lei nº 166, de 29 de setembro de 1840, previa que "fundar-se-há um patrimônio em terras pertencentes à nação, cujo valor será ulteriormente determinado sobre informações do governo". Em 1891, um decreto incorporou ao patrimônio nacional todos os bens que constituÃam o dote ou patrimônio da princesa Isabel.
Ação histórica
Os Recursos Especiais 1.149.487 e 1.141.490 discutem se o Palácio Guanabara estava incluÃdo, quando da Proclamação, entre os bens privados da famÃlia imperial, ou se era bem público destinado apenas à moradia, finalidade que teria perdido com a queda da monarquia.
Os herdeiros alegam que o decreto presidencial proibindo a famÃlia da Princesa Isabel de possuir imóveis no Brasil não estabeleceu pena de confisco em caso de desatendimento da obrigação de liquidar os que possuÃa.
Nas ações, os Orleans e Bragança pedem a restituição do imóvel e o reconhecimento do domÃnio dos legÃtimos sucessores da Princesa Isabel sobre ele, de forma que o palácio seja considerado integrante do espólio da famÃlia imperial.
Caso a Justiça entenda ser impossÃvel a devolução do imóvel, pedem que a condenação seja convertida em perdas e danos pelo seu valor atual.
Fonte: Estadão Conteúdo