14/04/2018 11h40
Suspeitas recaem sobre milicianos
Grupos paramilitares em expansão no Estado são o principal foco da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. A polÃcia investiga se dois homens executados esta semana em áreas dominadas por milÃcias estariam envolvidos diretamente com o crime. Também apura se teriam sido mortos como queima de arquivo.
Oficialmente, a Secretaria de Segurança diz que as investigações continuam em sigilo. Muitas informações, porém, vazaram. Elas apontam para o envolvimento de milicianos no crime. A polÃcia vai comparar fragmentos de impressões digitais encontradas nas cápsulas achadas no local das mortes com as de dois homens assassinados esta semana.
Um deles era o lÃder comunitário Carlos Alexandre Pereira Maria, de 37 anos. Foi morto no domingo passado na zona oeste, um reduto de milicianos. Conhecido como Alexandre Cabeça, era colaborador no gabinete do vereador Marcello Siciliano (PHS). O parlamentar foi ouvido na semana passada como testemunha do caso.
O outro homem era Anderson Claudio da Silva. Era um subtenente reformado da PM, morto na terça passada, na mesma região. Também era suspeito de manter relações estreitas com as milÃcias.
Desde o fim da CPI das MilÃcias, o número de grupos paramilitares no Estado mais do que dobrou, segundo o Ministério Público. As comunidades carentes sob o comando de milÃcias passaram de 41 para 88. Eles exploram serviços como gás, internet, transporte, entre outros, e promovem extorsões.
"Há um crescimento econômico e territorial evidente das milÃcias", sustenta o especialista em segurança pública VinÃcius George, policial que participou da CPI. "Nos últimos anos, com o recrudescimento da violência no Rio, a ação das milÃcias recrudesceu também. E agora, com a saÃda dos caras que foram presos lá atrás, isso tende a piorar porque vai ter mais briga e disputa."
O sociólogo Inácio Cano, do Laboratório de Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), concorda. "Temos sinais de que o tráfico internacional de drogas está se enfraquecendo por sua pouca capacidade de produzir lucros. Por outro lado, delegados e promotores dizem que a extensão das milÃcias tem aumentado, sobretudo fora de suas áreas tradicionais." Até agora, pelo menos oito vereadores foram ouvidos como testemunhas do caso. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo