29/07/2019 15h10
Suspeito de participar de roubo de ouro em Guarulhos é liberado; 3 estão presos
A PolÃcia Civil de São Paulo prendeu três suspeitos de participar do roubo de 720 quilos de ouro no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, na última quinta-feira, 25. Um quarto homem foi levado à delegacia neste domingo, 28, ouvido e liberado na madrugada desta segunda-feira, 29.
Na noite do sábado, 27, houve a primeira prisão, de Peterson PatrÃcio, de 33 anos, que é funcionário do aeroporto e havia dito aos investigadores ter sido refém da quadrilha na véspera do crime.
"Ele me disse que está muito confuso, que não sabe o que está acontecendo na verdade", afirmou o advogado Ricardo Sampaio Gonçalves, que disse ter sido acionado por parentes de PatrÃcio quando soube da prisão.
Ele trabalha há sete anos como encarregado de despacho no aeroporto. Foi o primeiro trabalhador do local a ser eleito pelos funcionários para integrar o Conselho da Administração da Concessionária, formado principalmente por executivos e membros da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Eleito em 2014, seu mandato terminou em abril de 2016. O conselho, um dos mais importantes da gestão de Cumbica, tem acesso a uma série de documentos, contratos e planos referentes ao aeroporto.
Quando assumiu como membro do conselho, PatrÃcio deu uma entrevista ao jornal do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) e explicou que sua responsabilidade no Departamento de Cargas do terminal, à época, era entregar cargas. "Sou fiel depositário, faço a entrega, liberação e expedição das cargas armazenadas no departamento de importação"
O segundo homem detido foi Peterson Brasil, um conhecido de PatrÃcio.
Segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o terceiro foi um homem autuado em flagrante por posse de munição de calibre de uso restrito. O suspeito estava com um carregador de fuzil contendo projéteis calibre .762 mm. Ele teria oferecido logÃstica para o transbordo da carga para outros veÃculos.
Em nota, os delegados Pedro Ivo Correa dos Santos e João Hueb, da 5ª Delegacia Patrimônio (Investigações sobre Roubo a Banco), informaram que não forneceriam mais informações sobre as prisões e o que as motivou para "preservar a investigação e evitar desvios na linha de trabalho.
Também em nota, a GRU Airport, concessionária responsável pelo aeroporto, disse cumprir todas as normas internacionais e práticas de segurança. Ressaltou ainda que todas as informações referentes ao crime estão sendo repassadas à PolÃcia Civil.
Sequestro
Um dia antes do assalto ao terminal de cargas, segundo relatou à polÃcia no primeiro depoimento, PatrÃcio disse que tinha acabado de sair de casa na Vila Ester, zona leste da capital, acompanhado da mulher, quando foi abordado por um homem armado que dirigia uma ambulância. A mulher foi obrigada a entrar no veÃculo e foi levada.
No depoimento, PatrÃcio teria contado que outro homem ficou ao seu lado na rua e disse: "A gente já sabe sua função lá no aeroporto. Queremos que você nos leve até a carga de ouro, que a gente sabe que vai chegar, que vai ser entregue tal dia, tal hora". Com a mulher sequestrada, PatrÃcio disse ter seguido todas as orientações dos criminosos, incluindo não acionar a polÃcia.
No dia seguinte ao inÃcio do sequestro, PatrÃcio foi trabalhar e foi orientado a agir normalmente. Sua função no plano seria ajudar a quadrilha a entrar no terminal de carga e indicar onde estava o ouro.
Investigação
Na sexta-feira, 26, a polÃcia já havia apreendido dois carros usados pelos criminosos durante o roubo. A suspeita é de que, logo depois da fuga, os criminosos tenham dividido o material, que estava em uma caminhonete clonada com identificação da PolÃcia Federal, entre os outros dois veÃculos.
Duas viaturas clonadas foram encontradas abandonadas na zona leste da capital, em um terreno na Rua Papiro do Egito. Os investigadores acreditam que o grupo tenha trocado os veÃculos ao menos duas vezes para dificultar a localização pela polÃcia. VeÃculos suspeitos foram vistos circulando em alta velocidade na cidade de Guararema, na região metropolitana de São Paulo.
A polÃcia acredita que ao menos oito pessoas tenham se envolvido diretamente no roubo. Os criminosos portavam fuzis, pistolas e carabinas. O transporte de ouro é considerado rotina da transportadora no aeroporto.
Fonte: Estadão Conteúdo