15/02/2021 18h09
'Tem que deixar de ser um país de maricas', diz Bolsonaro sobre covid-19
Com o mundo vivendo sob a sombra de uma segunda onda da pandemia de covid-19, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira, 10, que o Brasil "tem que deixar de ser um PaÃs de maricas" e enfrentar a doença.
"Tudo agora é pandemia, tem que acabar com esse negócio, pô. Lamento os mortos, lamento. Todos nós vamos morrer um dia, aqui todo mundo vai morrer. Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um paÃs de maricas", disse em cerimônia no Palácio do Planalto.
No Brasil, 5,675 milhões de pessoas foram contaminadas pelo novo coronavÃrus, e 162,6 mil pessoas morreram em decorrência da doença.
PaÃses da Europa, que assistiram a um agravamento da situação no inÃcio do ano antes mesmo de a doença chegar com força no Brasil, voltaram a decretar medidas mais rigorosas de isolamento diante da segunda onda da doença.
"Aqui começam a amedrontar povo brasileiro com segunda onda. Tem que enfrentar, é a vida", afirmou o presidente. "Temos que enfrentar, (ter) peito aberto, lutar", acrescentou Bolsonaro.
O presidente voltou a criticar decisões de prefeitos e governadores de restringir atividades no perÃodo mais crÃtico da pandemia no Brasil e comparou as medidas a "coisa de ditadura". "Algemar mulher de biquÃni na praia é covardia, patifaria, coisa de ditadura. E me chamam de ditador", afirmou.
"Tenho, como chefe de Estado, que tomar decisões que não me deixaram tomar. O que faltou para nós não foi um lÃder, mas deixar o lÃder trabalhar", emendou.
Bolsonaro citou pesquisas, segundo ele ainda não comprovadas, que mostrariam que o número de mortes por covid não chegam a 20% do total de óbitos no PaÃs.
"Não tem carinho, não tem sentimento? Tenho sim, por todos que morreram. Mas foi superdimensionado", criticou.
Apesar de criticar a dimensão dada à pandemia, o presidente demonstrou preocupação com o fim do auxÃlio emergencial, programa de auxÃlio à s famÃlias mais vulneráveis que custará R$ 322 bilhões e termina em 31 de dezembro deste ano. "Acaba o auxÃlio, como ficam quase 40 milhões de invisÃveis, que perderam tudo?", questionou.
O governo tem buscado junto ao Congresso Nacional, uma reformulação do Bolsa FamÃlia que consiga ampliar o alcance do programa social e abrigar uma parcela desses "invisÃveis", rastreados graças ao auxÃlio emergencial. Mas o quadro fiscal do governo tem sido um entrave, e o próprio presidente interditou debates sobre revisões de determinadas despesas consideradas ineficientes, como a do abono salarial (espécie de 14º salário pago a trabalhadores com carteira assinada que ganham até dois salários mÃnimos e que poderia, se revisto, liberar até R$ 20 bilhões ao ano).
Bolsonaro reclamou ainda de "não ter paz para absolutamente nada" e defendeu a busca por mudanças. Ele criticou o que viu como fragilidades da geração atual. "No meu tempo, bullying na escola era porrada. Agora, chamar de gordo é bullying", disparou.
Fonte: Estadão Conteúdo