17/07/2019 08h20
Tomar mais de 3 xícaras de café por dia eleva em 4 vezes o risco de pressão alta
Qual a quantidade de café que pode ser tomada por dia por quem tem predisposição a ter pressão alta e que não vai ser prejudicial? Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) com 533 pessoas da cidade de São Paulo apontou que mais de três xÃcaras, das de 50 ml, podem aumentar em até quatro vezes a possibilidade de o problema se manifestar. Tomar até três xÃcaras, no entanto, traz benefÃcios e ajuda a evitar doenças cardiovasculares.
Pós-doutoranda no Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP), a nutricionista Andreia Machado Miranda, principal autora do estudo, disse que os hábitos do indivÃduo e a predisposição genética, isoladamente, já são fatores de risco conhecidos para a pressão arterial, mas ela e a equipe de pesquisadores se debruçaram nos impactos do consumo excessivo de café por pessoas saudáveis, mas com predisposição genética a ter hipertensão.
Para isso, utilizaram como base o Inquérito de Saúde do MunicÃpio de São Paulo (ISA-Capital 2008), que foi realizado com 3 mil pessoas. "É um estudo muito completo com dados de estilo de vida, coleta de sangue e de DNA, informações bioquÃmicas e aferição da pressão arterial. Definimos como pressão arterial normal valores abaixo de 140 por 90 milÃmetros de mercúrio (mmHg). Acima disso, era considerado pressão alta", explica a pesquisadora.
O grupo desenvolveu escores genéticos de risco e analisou o consumo de café dos participantes (menos de uma xÃcara, entre uma e três xÃcaras, e mais de três xÃcaras), além da pressão arterial deles.
"O consumo médio foi de duas xÃcaras e meia de café por dia. Nenhum dos participantes relatou o consumo de café descafeinado e quatro indivÃduos falaram que consomem café expresso. O café é complexo. Ele é constituÃdo por mais de 2 mil compostos quÃmicos, entre eles, a cafeÃna, que aumenta os nÃveis da pressão arterial."
A pesquisa mostrou que o grupo que tinha a pontuação mais elevada no escore genético e que bebia mais de três xÃcaras de café, a possibilidade de ter pressão alta era quatro vezes maior do que de quem não tinha a predisposição.
"Como a maior parte da população não sabe se tem a predisposição, porque são dados de exames que não são habitualmente feitos, a pesquisa pode ajudar toda a população a saber qual o consumo adequado que deve ser feito de café", diz Andreia, que já realizou estudos sobre os efeitos do consumo da bebida.
Efeito protetor
"Em todos os nossos estudos, constatamos o efeito protetor para a parte cardiovascular. O café é rico em polifenóis, compostos bioativos que têm ação no organismo e só existem nos alimentos de origem vegetal. O organismo não produz. Diversos estudos têm mostrado uma contribuição na redução de doenças crônicas, como a cardiovascular. Por causa do poder antioxidante, melhora a vasodilatação e permite que a pressão arterial não aumente."
Outro estudo realizado por Andreia apontou que o consumo de uma a três xÃcaras por dia traz benefÃcios para a saúde cardiovascular, como a regulação de um aminoácido chamado homocisteÃna, que está relacionado com episódios de enfarte e acidente vascular cerebral (AVC).
A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi publicada na revista Clinical Nutrition.
O próximo passo do estudo é verificar o impacto do consumo de café em pacientes que já têm doenças cardiovasculares. "Agora, vamos identificar os efeitos nos pacientes que já sofreram um episódio de enfarte agudo do miocárdio ou angina instável e qual vai ser o impacto na sobrevida desses pacientes", disse.
A previsão é de analisar, no perÃodo de quatro anos, dados de 1.085 pacientes atendidos no Hospital Universitário da USP.
Fonte: Estadão Conteúdo