27/05/2016 08h06
Uma mulher é violentada a cada 11 minutos no Brasil
O estupro coletivo que aconteceu no Rio nesta semana é "o caso mais grave já ocorrido no Brasil", afirmou Samira Bueno, cientista social e diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), organização não governamental (ONG) que formula análises e pesquisa as estatÃsticas sobre a violência no PaÃs.
A especialista lembra que, até então, o episódio mais chocante havia sido o das quatro meninas do PiauÃ. No caso carioca, disse Samira, além da quantidade de agressores, choca o fato de nenhum dos envolvidos ter tentado impedir a violência e "ainda terem postado o vÃdeo nas redes, se orgulhando do que fizeram".
"O que chama a atenção é a brutalidade em pensar que mais de 30 homens estupraram a adolescente e nenhum deles, em momento algum, tentou impedir", disse ela, que ressalta ainda o aspecto cultural da violência. "O estupro está vinculado à cultura machista e misógina, que entende que os homens têm direito de ferir a mulher."
As estatÃsticas das Secretarias de Segurança Pública de todo PaÃs, reunidas pelo FBSP, mostram que mulheres de diferentes classes e raças são violentadas, "embora as negras sejam as principais vÃtimas letais", segundo a cientista social. A vÃtima do estupro coletivo não é negra.
Uma mulher é estuprada no Brasil a cada 11 minutos, segundo estatÃstica recolhida pela FBSP. Como apenas de 30% a 35% dos casos são registrados, é possÃvel que a relação seja "de um estupro a cada minuto", de acordo com Samira. Ao todo, no Brasil, 47,6 mil mulheres foram estupradas em 2014, última estatÃstica divulgada. No Estado do Rio, foram 5,7 mil casos.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão vinculado à Secretaria de Segurança do Estado, revelam 507 queixas de estupro na cidade do Rio, neste ano. O número é 24% inferior ao de igual perÃodo (janeiro a maio) de 2015, quando houve 670 registros. Na região da 28.ª Delegacia de PolÃcia, que inclui a Praça Seca, onde aconteceu o estupro coletivo, foram registrados 20 casos em 2016.
Redes
Na quinta-feira, 26, as redes sociais foram inundadas de campanhas contra a violência sexual contra mulheres. Fotos de perfis foram cobertas com as frases "Precisamos falar sobre a cultura do estupro" e "Eu luto pelo fim da cultura do estupro". Em outra campanha, a imagem de uma mulher sangrando, pendurada como Jesus à cruz, era disseminada nas redes. Usuários ainda compartilharam mensagens como "Não foram 30 contra 1, foram 30 contra todas. Exigimos justiça!". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo