29/12/2016 15h09
UPAs poderão funcionar com menos médicos, anuncia ministro da Saúde
Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) poderão funcionar com um número menor de médicos do que o mÃnimo exigido atualmente. A mudança, anunciada nesta quinta-feira, 29, pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, é a estratégia encontrada pela pasta para tentar colocar em operação unidades que estão construÃdas e que estão fechadas por falta de interesse dos municÃpios.
No modelo mais simples, UPAs poderão funcionar com apenas dois profissionais. Metade do que o obrigatório no modelo em vigor. "É melhor dois médicos do que nenhum", respondeu o ministro, ao ser questionado se a alteração não colocaria em risco a qualidade de atendimento. "O Brasil precisa cair na real. Os municÃpios não têm capacidade de contratar médicos. É melhor do que UPA fechada", concluiu.
Atualmente, existem no PaÃs três tipos de UPAs. A mais simples, classificada de nÃvel I, tem de ofertar 4 médicos, 7 leitos e fazer, pelo menos, 150 atendimentos por dia. A de nÃvel 2 exige a presença de 6 médicos, responsáveis por realizar 250 atendimentos diários. O nÃvel mais alto tem de apresentar no mÃnimo 15 leitos, 9 médicos e fazer uma média diária de 350 atendimentos.
A nova regra, que será publicada amanhã no Diário Oficial, amplia as opções de UPAs para oito nÃveis. No mais baixo, serão necessários apenas dois médicos, que deverão se dividir para trabalho em turnos 12 horas. As exigências para UPAs do maior porte da tabela não foram alteradas. Elas poderão funcionar com um mÃnimo de 9 médicos.
Falta de interesse
Estão em funcionamento no PaÃs 520 UPAs. Outras 165 unidades concluÃdas não foram inauguradas. De acordo com ministério, por falta de interesse dos municÃpios em colocá-las em operação. Há ainda outras 275 UPAs em construção.
Segundo o ministro, em 170 unidades pelo menos 90% das obras já foram concluÃdas, mas prefeitos evitam inaugurá-las, justamente por não ter condições de custear o serviço. Barros espera que com a mudança prefeitos sintam-se motivados a inaugurar as unidades.
As UPAs são estruturas de complexidade intermediária entre as Unidades Básicas de Saúde e o atendimento de emergência dos hospitais. De funcionamento 24 horas, oferecem, por exemplo, aparelhos de imagem e exames de diagnóstico, além de leitos para internação. Assim que o programa foi criado, o ministério recebeu uma extensa lista de municÃpios interessados em participar do programa. No entanto, diante da necessidade de municÃpios ofertarem uma contrapartida - incluindo aà o pagamento de profissionais - o programa emperrou. Muitos prédios foram construÃdos e, mesmo com equipamentos, ficaram sem uso.
Há pelo menos seis meses o governo tenta encontrar uma solução para o problema. Entre as propostas apresentadas estava dar outro destino para instalações. O Tribunal de Contas da União, no entanto, não permitiu a mudança.
A alternativa encontrada, no entanto, vai na contramão do que é defendido por especialistas em redes de saúde: concentrar o atendimento mais complexo, como exames de imagem, para evitar ociosidade de equipamentos. No modelo apresentado pelo ministério será possÃvel, por exemplo, que o municÃpio opte por fatiar o atendimento de uma UPA que já está em funcionamento com outra, que está para ser inaugurada. A regra permite que a capacidade de atendimento de uma UPA que já está em funcionamento seja reduzida, com menor exigência de profissionais. Amplia-se o número de prédios (e de fachadas), os aparelhos (e custos) envolvidos, mas não o número de profissionais disponÃveis para fazer o atendimento.
O número de atendimento mÃnimo exigido de cada médico foi mantido.
Fonte: Estadão Conteúdo