15/02/2021 17h52
USP desenvolve teste que reduz custo para detectar anticorpos da covid-19
Uma gotinha de sangue, combinada com um reagente, pode indicar se a pessoa teve contato com o temido vÃrus Sars-cov-2, que causa a covid-19. Com base neste princÃpio, um grupo de pesquisa da USP desenvolveu um dispositivo para detectar a presença de anticorpos do novo coronavÃrus no organismo que reduziria o custo do exame pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O "Teste Popular de Covid-19" está em fase de testes de validação clÃnica em São Paulo depois de ter sido desenvolvido por cientistas do Instituto de QuÃmica de São Carlos (IQSC), da USP, coordenados pelo professor Frank Crespilho, do Grupo de BioeletroquÃmica e Interfaces, do IQSC, e pela doutoranda Karla Castro. Os cientistas trabalham em parceria com a BioLinker, uma empresa ligada à USP, com financiamento da Fapesp.
O cientista de São Carlos explicou que o projeto permitirá redução de custos em cinco vezes em relação ao que existe hoje nas farmácias, que comercializam esse tipo de teste por cerca de R$ 140. O preço previsto do dispositivo popular do IQSC é de cerca de R$ 30, segundo o professor.
Diabético, o pesquisador contou ao Estadão que conhece bem a necessidade de controle de glicose pelo sistema da gotinha de sangue com furo no dedo, prática comum entre as pessoas que convivem com o problema. Crespilho explicou que a ideia de pesquisar uma alternativa de detecção do novo coronavÃrus surgiu durante a pandemia diante da possibilidade de a ciência produzir um mecanismo para ser usado em massa na população.
Depois da fase de comprovação final da pesquisa, o teste popular de covid-19 será enviado para a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo Mona Oliveira, chefe cientÃfica da BioLinker, startup que nasceu no Cietec-Ipen, a incubadora de empresas de base tecnológica da USP e parceira do IQSC no projeto, as fitinhas do teste são semelhantes à quelas usadas nos exames comuns de glicose. Contêm nanopartÃculas conjugadas com proteÃnas recombinantes do vÃrus e funcionam como biossensores para apontar se a pessoa tem anticorpos para combater o coronavÃrus.
Mona é doutora em bioquÃmica pela USP e em nanotecnologia por instituição da Eslovênia. "Com o teste, será possÃvel detectar anticorpos também depois de a pessoa ser vacinada", explicou a especialista da BioLinker, que fornece outros insumos biotecnológicos para hospitais, indústria farmacêutica, indústria de alimentação e universidades.
Fonte: Estadão Conteúdo