27/03/2021 11h11
Vacina contra covid-19 anunciada por Pontes só deve estar disponível em 2022
Os testes clÃnicos da vacina brasileira anunciados nesta sexta-feira, 26, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia devem demorar entre 9 e 12 meses, o que indica que o imunizante deverá estar disponÃvel ao público somente no ano que vem. É o que estima Helena Faccioli, presidente da Farmacore, empresa de biotecnologia que desenvolveu o produto em parceria com cientistas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). "As fases 1 e 2 terão 360 voluntários e devem durar de 3 a 4 meses. Se somarmos o tempo necessário para a fase 3, a gente prevê que todo o estudo clÃnico demore de 9 a 12 meses."
Helena conta que recebeu a garantia do MCTI de repasse de R$ 30 milhões para viabilizar as fases 1 e 2. "Eles já estão nos acompanhando desde o inÃcio do projeto, em abril do ano passado. Mas a assinatura do contrato só será feita após o aval da Anvisa para os testes", explica.
A fase pré-clÃnica recebeu R$ 4 milhões do governo federal. "A vacina demonstrou 98% de proteção nos testes de anticorpos em animais. Também induziu a produção de células T (de defesa) e não gerou efeito colateral", relata ela.
A presidente da Farmacore explica que a vacina utiliza dois componentes: uma partÃcula nanolipÃdica e um antÃgeno, que é a proteÃna S1 do coronavÃrus. O primeiro desperta nosso sistema imunológico e o segundo faz o corpo produzir anticorpos especÃficos para a covid-19. O antÃgeno foi desenvolvido pela Farmacore e pela USP. Já a partÃcula nanolipÃdica foi criada pela empresa americana PDS, parceira do projeto.
De acordo com Helena, a partÃcula terá de ser importada para os testes clÃnicos, mas, caso a vacina seja aprovada, a produção de todos os componentes será feita no Brasil, conforme acordo com a empresa americana. "Já estamos em fase adiantada de negociação com uma grande indústria nacional para viabilizar a produção", disse a presidente.
Fonte: Estadão Conteúdo