28/02/2017 08h57
Vila Madalena tem falha na dispersão durante o carnaval e recebe grades
O palco montado pela gestão João Doria (PSDB) no Largo da Batata, na zona oeste, para atrair o público de bloquinhos e esvaziar ruas residenciais da região, não impediu que a Vila Madalena tivesse barulho, bebida e festa até mais tarde. Mais livres do que em edições anteriores, os foliões permaneceram nas vias, algumas delas com tráfego de veÃculos, e só saÃram quando o caminhão da limpeza começou a soltar jatos d'água, à s vezes após a meia-noite.
Diante de reclamações, a gestão decidiu bloquear, com gradis, a entrada de foliões em algumas áreas da região. A Secretaria Municipal de Cultura havia informado no dia 13 que não haveria bloqueios. A situação ocasionou tumulto nesta segunda-feira, 27, no cruzamento da Rua Fradique Coutinho com a Inácio Pereira da Rocha, e a PolÃcia Militar usou spray de pimenta para dispersar as pessoas.
Para atender a reclamações de moradores, incomodados com barulho e sujeira, a administração municipal havia definido que os blocos na área da Subprefeitura de Pinheiros encerrassem a festa mais cedo, para que a dispersão ocorresse até as 20 horas. Moradora da Rua Aspicuelta, a manicure Ivone Fernandes, de 68 anos, reclama do barulho até mais tarde. "Este ano está um inferno, piorou muito" afirma. "No sábado, um bloco ficou tocando até meia-noite. Liguei no 156, da Prefeitura, mas a gente não consegue falar com ninguém."
A pedagoga Lourdes Machado, de 68, também desaprova não haver dispersão. "Ninguém consegue dormir com o carnaval na porta", afirma. "Já tentamos falar com a PolÃcia Militar, a Civil, a CET, a Prefeitura... ninguém faz nada." A aposta da Prefeitura era que shows como de Tulipa Ruiz, no sábado, e Elza Soares, na segunda, no Largo da Batata, além de atrações de peso em outro palco no Vale do Anhangabaú, no centro, concentrassem a folia.
Mesmo sem a música dos trios, no entanto, os foliões da Vila Madalena providenciaram a batucada, com atabaque, tamborim, pandeiro e coros, e alongaram a festa às vistas de policiais militares que faziam patrulhas e cordões em pontos estratégicos. "O pessoal está fazendo a festa por conta própria, não tem hora para acabar", disse o cabeleireiro Ronald Lucas Santos, de 19 anos.
Acompanhado da namorada, o analista de marketing Carlos Romano, de 25 anos, chegou à Vila Madalena após as 21 horas, vindo de Itaquera, na zona leste. "Aqui é uma região mais movimentada", disse. "Mas também precisa ter consciência com moradores. A gente vai embora no máximo às 23 horas."
Dezenas de pessoas também ocupavam a Rua Wisard, no cruzamento com a Fradique. Uma caixa de som garantiu a folia até as 22h, quando um grupo de policiais pediu para desligá-la.
Nesse horário, garis iniciaram a varrição, mas a rua só era desocupada na medida em que a limpeza avançava - forçando as pessoas ou a migrarem para locais onde as equipes da Subprefeitura ainda não haviam chegado ou a voltar para casa. Às 22h30, por exemplo, vários foliões se divertiam com a música alta na Rua Girassol com a Aspicuelta.
Em carnavais anteriores, a PM chegou a formar um cordão para expulsar as pessoas, acompanhada de garis e funcionários da Subprefeitura que usavam um megafone para avisar ao público sobre a dispersão. Os foliões eram retirados de uma vez e, então, começava a limpeza. À época, houve registro de tumultos e confrontos.
Um policial afirmou que, desta vez, não houve ordem para dispersão. A lavagem começa com as pessoas ainda na rua. "Ela precisa sair para não se molhar", disse. Apesar das horas a mais de carnaval, a "tática do jato d'água" se mostrou mais pacÃfica e a reportagem não presenciou conflitos.
Planejamento. Na coletiva de apresentação do carnaval deste ano, no dia 13, o secretário municipal da Cultura, André Sturm, afirmou que não haveria bloqueio. "Não haverá muro, não haverá controle, ninguém vai ficar contando o número de pessoas. Não haverá cordão de isolamento, nada disso", disse, na ocasião. "A gente espera que o bom senso mostre às pessoas que chegarem mais tarde que não dá mais para entrar."
Gradis de controle, no entanto, foram instalados à s 18 horas desta segunda em alguns acessos para o "miolo" da Vila Madalena. Ninguém entrava, só saÃa. "Não deixam entrar porque disseram que está muito cheio", afirmou o estudante Pedro Alves, de 18 anos um dos que ficou do lado de fora. "É errado. Umas amigas entraram mais cedo, mas a gente resolveu dar uma volta. Agora ninguém consegue se encontrar."
Para a estudante Ester Garcia, de 17 anos, o bloqueio aconteceu "muito cedo". "Nos outros dias não teve isso. Meus amigos estão lá dentro, mas eu não consegui ir", afirmou.
A bibliotecária Renata Santos, de 37 anos, pondera a decisão. "Por um lado é bom porque evita que fique uma muvuca muito grande", disse. Ela reclama, contudo, da falta de aviso. "Disseram que não ia ter bloqueio. O carnaval deste ano está muito desorganizado."
A Prefeitura Regional Pinheiros informou que o horário de desligamento do som foi respeitado, assim como o término dos blocos. "Vale ressaltar que as equipes de limpeza iniciam os trabalhos, às 23h, após o fechamento dos bares. Esse processo leva cerca de três a quatro horas para ser finalizado." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo