19/05/2018 21h50
Virada Cultural vai do brega ao samba na edição 2018
Segundo relatos de viradeiros experientes, o melhor da Virada Cultural é fazer o que só existe na Virada, aquelas atrações pensadas para este final de semana ou que são raras nos palcos de São Paulo. O domingo segue então com essa mistura de atrações que vão do blockbuster, atraentes às massas, aos mais undergrounds, espalhados por palcos do centro.
O Cinesesc, da Rua Augusta, 2075, depois de fazer algo que jamais fez no sábado, 19, usando banda de jazz para executar as partes musicais do filme Shadows (Sobras), de John Cassavetes, tem a exibição de um ótimo filme na tarde de domingo. Axé - Canto do Povo de um Lugar, documentário do diretor Chico Kertész, é um retrato respeitoso e ao mesmo tempo muito bem humorado sobre o fenômeno que se impôs das ruas de Salvador para o Brasil nos anos 1990. Ótimas entrevistas e histórias reveladoras de um momento raramente levado a sério pelos estudiosos.
A Sala Olido, na Avenida São João, vai homenagear a bossa nova durante toda a sua programação (a Virada não informa isso, mas em 2018 completam-se 60 anos da bossa nova, quando levamos em conta o disco que João Gilberto gravou em 1958, com Chega de Saudade). Na programação deste domingo, dois destaques para se por um foco: à s 10h, a ótima cantora Claudya, ao lado da filha Graziela Medori, mostram as músicas do show Bossa Nova de Mãe pra Filha. No final do dia, à s 18h, as duas voltam para uma homenagem a Johnny Alf, um dos precursores mais definitivos desse cenário. Estarão também AlaÃde Costa, Jane Duboc, Verônica Ferriani, VirgÃnia Rosa, Blubell, Jane Moraes, Vânia Bastos e Claudette Soares. Um desfile de grandes vozes.
O palco jazz & instrumental, na Rua Conselheiro Crispiniano com a Sete de Abril, tem pela manhã, às 11h, o grupo brasileiro La Cumbia Negra, do qual participou o produtor Carlos Eduardo Miranda. É um som caribenho e roqueiro, calcado no ritmo colombiano, muito dançante. O mesmo palco segue com o Projeto Coisa Fina, às 13h30, convidando o arranjador baiano Letieres Leite, e o projeto João Donato Elétrico, com Donato pai e Donato filho conduzindo timbres de teclados mais eletrônicos do que as pegadas acústicas clássicas do velho João.
Para quem quer grandes concentrações, há dois cortejos saindo da Rua Sergipe com a Consolação. Com concentração à s 11h e saÃda à s 12h, o Olodum desce a ladeira em direção ao centro com Carlinhos Brown. Mais tarde, concentrando à s 15h e saindo à s 16h, o É o Tchan segue com Sheila Mello. A pegada ali é carnaval. Se a vontade for cair na farra, será o melhor lugar. Se for aproveitar a essência da Virada, prefira outros endereços. O carnaval já dá conta dos cortejos.
O rap, mais paulistano impossÃvel, tem um espaço quente nesse domingo. O palco da Rua LÃbero Badaró com o Largo de São Bento traz uma sequência matadora de Dexter (14h), Nelson Triunfo com Fábio Rogério (15h), Edi Rock (16h) e, terminando, Rincon Sapiência (18h). Mudando de estação, o palco Alegria substituiu Xuxa, que alegou problemas de saúde para não cantar mais na festa, pelo Rouge, à s 12, no Vale do Anhangabaú. Depois cantam Sidney Magal (15h) e o grupo Balão Mágico (18h).
O samba retoma o centro logo na alvorada da Avenida São João com a Ipiranga. Eis aqui um bom motivo para curtir a Virada. Qual outro dia será possÃvel ver o Berço do Samba de São Mateus à s 9h, Royce do Cavaco à s 11h e o Fundo de Quintal à s 15h no endereço mais cantado de São Paulo?
Fonte: Estadão Conteúdo