15/02/2018 21h40
Vírus da febre amarela é encontrado em mais uma espécie de Aedes
O Instituto Evandro Chagas, no Pará, identificou a presença do vÃrus da febre amarela no Aedes albopictus, mosquito conhecido como tigre asiático e que vive em áreas rurais e silvestre. A descoberta, inédita no mundo e comunicada nesta quinta-feira, 15, pelo diretor do instituto, Pedro Vasconcelos, vai desencadear uma nova frente de estudos sobre a transmissão da doença no PaÃs.
Uma força-tarefa foi criada com o objetivo de capturar exemplares do mosquito onde há transmissão de febre amarela: em São Paulo, no Rio e na Bahia. A missão começa em 15 dias. Eles serão levados para laboratório e criados em colônias. O objetivo é verificar se o mosquito, além de ser infectado pelo vÃrus, pode também transmitir a doença por meio da picada para seres humanos.
"É precipitado fazer qualquer julgamento", afirmou Vasconcelos. Ele admite, no entanto, que se o Tigre Asiático for de fato outro vetor da febre amarela, há um potencial risco de um novo ciclo de transmissão da doença, o intermediário, nas Américas.
Hoje no PaÃs há a transmissão silvestre da febre amarela, promovida principalmente por mosquitos encontrados na mata: Haemagogus e Sabethes. Há também o risco de transmissão urbana, por meio da picada do Aedes aegypti contaminado. Esse tipo de transmissão não ocorre no Brasil desde 1942.
O ciclo intermediário já ocorre na Ãfrica. Ele permite a ligação do ciclo silvestre e urbano com o ciclo rural. A previsão é de que a força-tarefa saia a campo para captura dos mosquitos dentro de duas semanas. Os resultados obtidos com o estudo deverão ser concluÃdos em aproximadamente 50 dias. Os exemplares de tigres asiáticos contaminados com vÃrus de febre amarela foram capturados pela equipe do Evandro Chagas no primeiro semestre no passado, nas cidades mineiras de Itueta e Alvarenga. As análises dos mosquitos foram concluÃdas neste mês.
Essa espécie está presente em cerca de mil municÃpios brasileiros, sobretudo em áreas rurais. "Eles não vivem bem nas florestas", explicou Vasconcelos. O presidente do Instituto Evandro Chagas afirma não haver, no momento, elementos que indiquem uma eventual relação entre o tigre asiático e a epidemia de febre amarela ocorrida no ano passado em Minas e no EspÃrito Santo.
A hipótese de que o Aedes albopictus pudesse também transmitir a febre amarela não é nova. Vários pesquisadores já haviam levantado essa suspeita, mas nenhum estudo havia comprovado a presença do vÃrus no mosquito. Isso, no entanto, não basta para garantir que o tigre asiático faz parte da cadeia de transmissão. "Vários mosquitos carregam o vÃrus, mas não têm capacidade de transmiti-los", explicou Vasconcelos. O presidente do Instituto Evandro Chagas disse ser pouco provável de que o PaÃs já tenha a transmissão periurbana.
Cautela
O coordenador de controle de doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo, o infectologista Marcos Boulos, afirmou ser necessário continuar os estudos sobre o Aedes albopictus e febre amarela. "Se for confirmado que o mosquito tem capacidade de transmitir o vÃrus, existe a possibilidade de transmissão periurbana", afirmou.
Fonte: Estadão Conteúdo