Não dá para esquecer, também, dos namoros e dos noivados. Quantos namoros, meus e de outras pessoas viveram seus dias de glória no nosso Parque!
Namoros que deram certo e que não deram. Quanta jura de amor eterno, foi feita em volta daquele lago. Muitas nunca foram cumpridas.
Felizmente, um dia, a maioria das pessoas acaba conseguindo achar sua alma gêmea, para quem se fazem as juras de amor eterno que ficam mesmo...
Tudo aquilo era muito bom. Mesmo momentos que nos pareciam tristes, túneis profundos e escuros que quando jovens nos davam a impressão de que nunca conseguiríamos atravessar, acabaram sendo lembrados como momentos alegres. A juventude paga tudo. Mas, infelizmente, só conseguimos entender isto quando a maturidade chega.
No final da década de 80 e nos primeiros anos da década de 90 voltei a viver alguns momentos de alegria no nosso Parque, quando pude, enfim, realizar o sonho de levar meus filhos para lá passearem, andar de pedalinho e tudo o mais que tivessem direito.
Parque das Águas, Parque das enchentes. Parque das lágrimas da saudade do passado. Águas dobradas. Água pra tudo quanto é lado.
Se na enchente de 1986 eu já fiquei chocado com toda aquela aguaceira que assistia de camarote, por viver na Comendador Costa, não consigo imaginar o que eu sentiria, vendo a de 2000 do mesmo local. Quanta destruição!!! Aí sim, o nome poderia até ser mudado para Parque das Águas, Águas, Águas... Até que acabem com elas..
.
Nos últimos anos, tenho ido cada vez menos ao nosso Parque. Eventualmente, quando meus filhos insistiam, o que não tem mais ocorrido, pois já cresceram e o Parque deixou de representar o que representava para eles, dava um pulo até lá.
Ao chegar e evocar tantos acontecimentos do passado, sinto-me mal, triste, deprimido. O ambiente lá já me parece tão parado e o Parque tão vazio em relação aos velhos tempos da infância − onde havia uma verdadeira massa humana− que tudo parece um deserto, tudo parece chorar.
Penso que, depois dos sessenta, principalmente sendo o sentimental que sempre fui e que estou sendo mais a cada ano que passa, melhor não ir atrás das tristezas e lembranças, já que, tantas vezes, são elas que nos procuram para nos fazer sofrer...
(No verão de 1957 o Parque ficou marcado pelas inúmeras vezes em que eu levava minha avó para ir até lá. Quase que diariamente estava com ela. Suas filhas encontravam-se em Belo Horizonte e eu queria minorar sua solidão.
Sempre insistia para que me levasse para andar de barco. Até que num domingo ela cansou-se de meus pedidos e disse:
−Filipe, vou atender ao seu pedido.
Desci cheio de alegria, pois afinal meu sonho seria realizado. Quando chegamos ao atracadouro dos barcos, ela mandou-me que entrasse num deles, que estava devidamente acorrentado à beira do lago. Não entendia nada, a princípio.
Depois, ela começou a fazer um movimento de balanço com o barco, preso mesmo. Saí de lá meio decepcionado, mas, será que em minha inocência cheguei a imaginar que ela pudesse remar comigo pelo lago?).
Nota: no sábado, 25 de fevereiro, tive uma alegria no Parque. Com cerca de 30 colegas da inesquecível Faculdade Nacional de Medicina e suas famílias, plantamos um pau-brasil comemorando nossos 40 anos de formatura. Espero que cresça como o que Getúlio Vargas plantou em 1931 e que as gerações futuras lendo a placa lá colocada, saibam da grande amizade que nos uniu um dia.