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Opinião
18/04/2013 10h48

Homens e mulheres

Bebeto Andrade fala sobre um conceito interessante sobre homens e mulheres.

Há anos tenho observado, em Cruzília, uma mudança radical na eterna relação entre homens e mulheres. Antigamente, nos elegantes bailes do CRE, um homem abordava uma mulher em tom respeitoso, de maneira a não deixar dúvidas sobre suas sinceras intenções (mesmo que estas se revelassem uma cafajestagem mais tarde). Tião do Gustavo, por exemplo, ao convidar alguma moça para uma dança, era pródigo em cortesias e salamaleques, e sua formalidade chegava a extremos.

- Senhorita – dizia ele, preparando o bote -, pode me conceder a honra desta contradança?

Que moça resistiria a tal convite, quando mais acompanhado de uma leve inclinação e a mão direita estendida? Sim, havia uma espécie de ritual que marcava a aproximação entre homens e mulheres, ritual que garantia um bom dinheiro aos alfaiates (os ternos!) e constantes encomendas de vestidos finos. De certa forma, creio que os casais se comportavam como personagens de um filme de Hollywood, pois todos observavam e eram observados por todos.

O tempo se encarregou de mudar a atitude dos casais, além dos filmes de Hollywood. Já nos anos 60 e 70 a formalidade foi deixada de lado, e homens e mulheres venceram a distância que os separava. Novas formas de romantismo foram propostas, que incluíam andar de mãos dadas em público (dizem que o Cacildinho foi o primeiro a fazer isso), amassos no portão e curtas viagens sem a protetora companhia dos pais.

Desde essa época, a popular “cantada” adquiriu o status de arte moderna, com seu típico coloquialismo e concisão. A um simples “você tá a fim?”, resolvia-se a questão, para o bem ou para o mal. A conversa podia vir depois, como mero complemento do fato consumado.

E hoje? Bem, já presenciei uma abordagem sem palavras, feita na base de um simples piscar de olhos e um meneio de cabeça. Confesso que fiquei surpreso, pra não dizer estarrecido, e calculei que em breve nem isso será necessário. Aí um amigo me explicou que não é bem assim, pois atualmente tudo se decide antes, pelo facebook, e quando a gente mal percebe a paquera já se transformou em compromisso dos “brabos”.

Sinal dos tempos. Aliás, já observaram como o pessoal tem caprichado nas fotos que aparecem nos perfis do facebook? Agora sim, pode-se dizer que as pessoas não apenas se comportam como personagens de um filme de Hollywood, mas também adotam as mesmas técnicas de marketing.

 

por Bebeto Andrade,

 

de Cruzília/MG


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