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Opinião
14/07/2012 08h43

Janelas do Tempo Irmãos Maristas (II)

Irmãos Maristas (II)


Irmão Celeste Faletto, a quem para sempre chamei de primo, por ser italiano e eu, descendente de libaneses. Foi meu professor de quase todas as matérias em 1962, na quarta série ginasial. A última vez em que nos encontramos foi em setembro de 1974, em Belo Horizonte, no Colégio Dom Silvério. Eu havia ido até lá com o colega Romeu, para nos inscrevermos no CRM.  Romeu pegou um táxi até Resende, onde eu me encontrava e de lá viajamos de ônibus até a capital mineira. Irmão Celeste disse sempre que minha turma de 1962 foi a mais inteligente e a melhor turma para a qual ele deu aulas em toda a sua longa carreira. Aliás, para se ter uma ideia, o primeiro aluno tirou média 10, não houve uma prova, de nenhuma matéria, no ano todo, em que não tirou a nota máxima. Terminei aquele ano com média 9,5, mas fui criticado pelo meu pai. Ele achava que eu é que deveria ter dez em tudo e ter sido o primeiro aluno da sala. Nunca me esqueci de meu primo, apesar de nunca mais tê-lo visto, até sua morte, num desses últimos 18 de julho.

Havia um irmão que foi reitor durante algum tempo que usava a batina mais suja que alguém pode imaginar. Tinha todos os tipos de sujeira: caspa, cuspe, giz, cocô de passarinho, poeira, xixi. Quando meus filhos eram pequenos e queria dizer que estavam com a roupa suja, eu falava:

− Muda isto, você está com uma roupa parecida com a batina do Irmão reitor...

Irmão Leonato, era originário do Sul do país. Conheci-o em 1958, como regente da Divisão dos Menores, à qual eu pertencia. Em maio daquele ano houve um passeio dos alunos internos até São Lourenço, de trem. Passamos o dia aqui. Vim cheirando meu inalador Vick o tempo todo. Era um viciado, aos onze anos. Em todo o caso, melhor este vício do que o de cheirar outras coisas... Um mês antes, o Irmão Leonato esteve aqui, para acertar os detalhes do almoço, em algum hotel.  Almoçou na casa de meus pais e sentiu-se tão bem tratado que começou a tratar-me melhor a partir desse dia. Lembro-me de que ao me reencontrar enfiou a mão pela manga, em algum bolso que existia na batina dele, por dentro e tirou uma caixa retangular de bolachas de coco Aymoré. Meus pais haviam enviado. Ele estava muito risonho..

Irmão Régis (nome trocado em respeito à sua memória), o mais neurótico de todos os que encontrei. Era o vice-regente dos menores, em 1958 e costumava ter uns acessos de fúria, e, nessas ocasiões, pobres daquelas crianças para aguentá-lo. Chegava a chutar portas, num verdadeiro desvario. Pior é que provavelmente alguns meninos pediam para ir internos justamente para fugir dos acessos dos pais. Cuidava do viveiro de passarinhos de todas as espécies que havia no colégio. Era o responsável pelas fotografias também.

(continua)

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