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Opinião
14/07/2012 10h16

Opinião A felicidade

A felicidade


“Ninguém tem o direito de ser feliz sozinho.” Como assim? Indaguei surpresa. A felicidade é algo de foro íntimo. Há pessoas cercadas de amigos, conforto, saúde, dinheiro, prestígio e, no entanto são profundamente tristes. Não podemos delegar a terceiros ou às circunstâncias externas a função de nos fazer felizes.  A felicidade está no encontro interno com a nossa partícula divina, com a essência indelével que subjaz muitas vezes sob os escombros de um ego insatisfeito, mutável e dependente das migalhas de afeto que lhe caem à mesa. Este afeto pode vir representado por uma atenção, uma deferência, um elogio às vezes nem sempre sincero, um pagamento ou outra coisa qualquer.

Mas como coloca o filósofo Baruch de Spinoza o fim do homem é revelar em sua existência individual, aquele aspecto peculiar e único da divindade que só ele pode revelar, pois cada personalidade tem a missão de concretizar um determinado aspecto da divindade, esta que em todos habita. Todavia, personalidade é persona, é máscara, muito usada no antigo teatro grego e por muitos de nós hodiernamente ao nos inserirmos no convívio com o outro. A superficialidade desta se esvai quando o outro se retira, quando encontramos então a total solidão. Mas é bom estar só, sem som, sem nada, é benfazejo, porque aí nos desmascaramos, descobrimos a real vulnerabilidade do ego, este que se assenta na reafirmação do outro, aquele que nos confirma. Então surge a tristeza, a infelicidade.

Só um ser individualmente consciente é livre e isto porque ele tenta conhecer a Deus universalmente em si, conhecer a Deus universalmente em si é senti-Lo e com Ele a Sua força. Mais que isto é ouvi-Lo no íntimo do próprio coração. Mas o homem é parcialmente consciente e, portanto parcialmente livre, como dizia Martinho Lutero, ele é como bandeira, levado de um lado para o outro com o vento. Mas como ser livre? Presos a um escafandro, a uma caverna como dizia Platão, esta que nos define os atos, os pensamentos, as emoções? Cada um tem a sua resposta. Uns a buscam na jardinagem, outros no cuidado com os animais, outros na defesa da natureza, outros na escrita e etc. Uma causa. Que causa o impulsiona? O faz sentir-se mais inteiro e integrado ao universo em que se dispõe a servir? Este pode ser o caminho externo que leva para dentro, para o interno que há em nós, porque só dentro de nós mesmos, no silêncio de nossas almas é que encontraremos a paz, a plenitude, a felicidade. O “Eu Sou” a partícula divina que nos
faz querer continuar navegando frente às procelas da vida.  Neste Deus imanente está a enseada segura que nos torna certos de que o acaso não existe e de que cada um está a onde deveria estar, na sua missão, na sua felicidade.

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