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Opinião
05/06/2012 08h28

Opinião Facebook, uma revolução nas relações humanas

Facebook, uma revolução nas relações humanas


A geração a qual faço parte pode ser considerada um universo intermediário ou em transição. Não chegamos a empunhar bandeiras contra a ditadura, mas herdamos muito de suas influências e desgastes. Não fomos a geração Coca-Cola, mas tomamos Cuba-Libre (Run com Coca-Cola) e quando a grana estava curta íamos de “Porradinha” (Pinga com Sodinha). Não nascemos há dez mil anos atrás e nem chegamos a ficar Malucos Beleza. Mas ainda não viramos geração Lady  Gaga.  Estamos mais para Legião Urbana e suas angústias poetizadas em trocadilhos e metáforas pelo Renato Russo.

Somos os quarentões. A geração que aprendeu a digitar na máquina de escrever e teve que lidar com o computador na marra, algo como Independência ou Morte. Não estou aqui para falar de saudosismos ou me queixar dos meus cabelos brancos (devidamente pintados).

Mas antes preciso afirmar que vivi a época de escrever cartas a mão. Quero registrar perante a lei e para a posteridade: Eu, Christiano Villas Boas, cidadão brasileiro, em posse de minhas faculdades mentais, declaro que por muitos anos escrevi e enviei cartas pelo correio a amigos, parentes e namoradas.

Pronto. Agora já estou apto e liberto para falar do Facebook. Que coisa intrigante e maravilhosa. Confesso que resisti um pouco antes de aceitar ser “adicionado”. Mas, tão logo consegui decifrar seu “modus operandi” me tornei admirador dessa tecnologia. O tempo, a geografia e a distância ainda são algozes das amizades e das lembranças. Com o passar dos dias e ancorados na distância vemos nosso passado se esvaindo na tênue tela da memória. O tempo passa, as pessoas se vão e as marcas do nosso passado vão se perdendo. Nossa história vai se misturando a fatos e fantasias. Temos uma crença, meio “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, de que as pessoas e acontecimentos ficam ali, congelados, esperando a nossa volta ou a continuidade, carecendo apenas apertarmos o botão de “pause” e retornarmos a cena ou àquele momento.

Então, fitamos as pessoas de nosso passado como se ainda fossem presentes. E, se o acaso nos coloca de novo a sua frente, sequer reconhecemos sua face atual, pois continuamos a mirá-las sob a ótica do passado e da lembrança.  As vezes, nem temos o que falar passada a fase do “Ah, você se lembra disso, daquilo ou daquele... Reina então o silencio, o olhar constrangido e a pergunta mental: -“quem é mesmo esse cara?”

A distância e o tempo, vão apagando as pessoas e as memórias. Aí está o grande feito do Facebook. Talvez a geração do presente não compreenda o argumento, mas para quem viveu no século passado, poder reencontrar pessoas que compartilharam nossa história é algo muito significativo; mesmo que elas fiquem lá, na “página de amigos”, sem trocar uma mensagem ou um oi. Aceitamos o convite, lembramos e as colocamos na prateleira virtual.

Estão lá, nos lembrando do que fomos, do que vivemos e do que ainda temos que construir em nós. As vezes, é melhor mesmo que fiquem lá no canto da tela, apenas como um sorriso bonito a nos lembrar que a vida só tem sentido quando compartilhamos nossos bons e maus momentos com outros seres humanos. E eles só se fazem importantes quando habitam o nosso coração, a nossa memória e talvez a tela do “Face”. Esta é a beleza desta tecnologia, encontrar e resgatar pessoas perdidas no passado e na estrada. Trazer para perto gente e vivências que se diluem no espaço temporal impreciso da existência...

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