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Opinião
12/02/2015 15h47

Sob medo, a coragem se superou!

José Luiz Ayres

Lá ia após deixar a estação famosa de Barão de Mauá da Leopoldina Railway, no Rio de Janeiro, o tradicional expresso noturno campista rumo a Campos dos Goytacazes na sua rotineira viagem, quando depois de vários quilômetros percorridos, sem que qualquer anormalidade se apresentasse a quebrar a paz e a tranquilidade do comboio, eis que se chega ao compartimento reservado ao chefe do trem; o dedicado Evandro, um dos agentes ferroviários em serviço e óbvio, responsável pelo bem estar dos passageiros. Mostrando-se um tanto aturdido e preocupado, transmite a Evandro sob certa tensão, que no  vagão 2 da segunda classe, a situação começava a ficar tensa, pois alguns passageiros insurgiram-se contra um determinado cidadão, pelo procedimento abusivo na utilização de charutos, a tornar o ar do vagão irrespirável pela intensidade da fumaça expelida às baforadas a deixar incomodadas as pessoas. Porém, o pior é que o cidadão se dizendo policial, ameaçou a quem tentasse obrigá-lo a proibir do seu prazer, ou mesmo querer apagar seu charuto, que levaria um tiro na bunda. Espantado, Evandro ergueu-se da poltrona e junto ao agente seguiram na direção do vagão, conduzindo seu lampião.

Ao abrir a porta, depara-se com o forte odor desagradável do ambiente, a ponto de lhe provocar engasgos a tossir. Apontado pelo agente, foi até o tal dito policial a indagá-lo, após apresentar-se como o chefe do trem, se o cidadão era um “tira”. Estranhando a pergunta, um tanto reticente, respondeu que “sim” e o por quê da indagação? Evandro, curvando-se, solicitou se poderia acompanhá-lo. Portando seu famigerado charuto, ergueu-se do assento acompanhando Evandro, que à varanda do vagão, ficaram a conversar. Imediatamente, após fechar a porta, o agente solicitou a todos que abaixassem os vidros cerrados das janelas, no intuito de arejar o vagão por alguns minutos; no que foi atendido. Enquanto isso, pelo vidro da porta, o agente que no interior do vagão, observava à varanda os dois vultos a conversarem e vez por outra ver a brasa do charuto avivada a cada tragada efetuada, permanecia em alerta sob tensão.

Aquela conversa teve quase quinze minutos de duração, no que foi o suficiente aos passageiros a cerrarem seus vidros, quando a porta se abriu com a entrada de Evandro e do tal policial que se ocupou do assento a escutar o que Evandro passou a falar.

“ – Meus caros passageiros, na qualidade de mediador, estou aqui não como chefe do trem, mas sim como apaziguador. Quanto ao charuto que o cidadão vem se utilizando durante a viagem, não posso proibi-lo em desfrutar, pois não há contra indicações neste sentido, no que pese ao bom senso de cada pessoa poder ter consciência ao saber usá-lo de maneira adequada e fazê-lo em local apropriado. No caso a varanda do vagão. Todavia, por outro lado, o cidadão em questão tem os seus motivos agindo assim, já que vem se sentindo incomodado pelo excesso de “peidos”, onde os maus educados e porcalhões não respeitam os passageiros, com odores nauseantes tão ou mais fétidos que a fumaça de um charuto, cujo fumante não se esconde e os peidorreiros, por razões óbvias se enrustem, mesmo sabendo que conseguem causar mal estar.

Espero que esses enrustidos procurem os toaletes, local indicado e reservado a essa prática, pois este cidadão se preciso for, se utilizará da varanda a fumar seus charutos.”

Desejando a todos bons sonos e boa viagem, deixou o vagão a caminho de seu compartimento com seu agente a lhe perguntar como conseguiu dissuadir o irado policial, a fazê-lo se acalmar, sem que se insurgisse diante da possível rebeldia em permanecer a fumar no interior do carro, a ponto de dizer que daria tiro em quem o proibisse.

Parado à porta do vagão, sorrindo, disse: - Meu caro, as vezes o medo nos impõe coisas que nem a nossa autoestima é capaz de entender e muito mais compreender! Boa noite, vida que segue!

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