31/05/2019 16h10
É natural defender perfil ideológico alinhado, diz Moraes sobre fala de Bolsonaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, minimizou nesta sexta-feira, 31, a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que a Corte precisa no momento de um ministro evangélico. Moraes ressaltou que a indicação dos cargos máximos do STF são feitas pela Presidência da República e disse que é natural que o Executivo escolha nomes alinhados.
"Ele sendo o presidente da República pode escolher aquele que entender que seria o perfil ideológico mais próximo ao seu governo. Isso ocorre no Brasil, nos Estados Unidos. Cabe ao Senado aprovar. São declarações normais, cada presidente tem o direito constitucional de escolher ministros do STF", disse.
Moraes descartou ainda que o andamento de pautas mais "liberais" sejam afetadas pela discordância de um governo mais conservador. O ministro prosseguiu colocando panos quentes na situação e disse que a reação de Bolsonaro tampouco evidencia conflito entre os Poderes. "O presidente tem o direito de não concordar", disse, acrescentando: "Não há conflito entre Poderes porque eventualmente poderes não concordam".
O ministro, no entanto, fez questão de ressaltar que a Constituição Federal tem mandamentos impositivos contra a discriminação e que cabe ao STF garantir o cumprimento da lei. E voltou a descartar que o Supremo esteja legislando, papel que é do Congresso. "Não há nada de legislar, o que há é a aplicação da Constituição, que é protetiva de uma minoria, que sofre violência tão somente pela sua orientação sexual. Não é possÃvel continuar com isso", disse.
Minorias
Moraes reagiu à s crÃticas feitas por Bolsonaro em relação ao julgamento de criminalização da homofobia. Durante evento do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), ele afirmou que a Corte é criticada de tentar legislar em função de algumas pautas, mas ponderou que, à s minorias, só resta o Judiciário.
"Não digo que não possa haver erros, o STF é composto por seres humanos e seres humanos erram. Se minoria tem direitos negados, se sofre discriminação e perseguição, não consegue mudar o Executivo e o Legislativo, o que sobra pra minoria? O poder judiciário", disse.
Ele ponderou que o regime democrático já funciona em função da vontade das maiorias e alertou em relação à uma "tirania das maiorias". Ele deixou claro ainda que "não é papel do Judiciário agradar sempre à população".
Em um momento em que o STF julga uma série de casos que envolvem as finanças estaduais, Moraes destacou ainda que há distorções do federalismo atual. "Temos federalismo assimétrico. À exceção de São Paulo, os Estados hoje dependem da União", disse.
Fonte: Estadão Conteúdo