30/08/2018 14h40
ANJ discute o futuro da mídia em tempos de 'fake news'
Executivos de jornais e do mercado publicitário se reuniram nesta quinta-feira, 30, em São Paulo, para debater o futuro da mÃdia impressa e o papel no combate à desinformação e à s chamadas fake news. Promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), o evento ofereceu ao público desafios e sugestões para a produção de conteúdo qualificado, com checagem em tempo real das informações, como forma a combater os cada vez mais frequentes ataques à imprensa no Brasil e no mundo.
Para o presidente Marcelo Rech, reeleito para mais dois anos ao lado da diretoria atual - que tem o diretor-presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto, como um dos vice-presidentes - confiança é um bem crescente e escasso em uma sociedade inundada por ondas de desinformação, mas é exatamente o produto emanado das rotativas e das telas de celular e computador associadas aos jornais.
"No mundo da comunicação somos como a medicina séria e responsável que se contrapõe ao charlatanismo e as supostas curas milagrosas", disse Rech, em relação ao papel da mÃdia formal hoje na abertura do evento.
Para o CEO da Associação Mundial de Jornais e Editores de NotÃcias (WAN-IFRA), Vincent Peyrègne, confiança é a nossa nova moeda do jornalismo. "Nosso público anseia por isso e a boa nova é que estamos preparados para oferecê-la", disse. "A checagem dos dados é a pedra angular da confiança", completou.
Representantes do mercado publicitário, Luiz Lara e Igor Puga ressaltaram que a busca da confiança e da audiência, também desafio hoje para os jornais impressos, passa por um trabalho de reforço das marcas e da criação de novos canais com o leitor, que agora é ainda ouvinte e telespectador.
Diretor executivo de marca e marketing do Banco Santander, Puga acredita que um dos caminhos a trilhar pelos jornais é investir em conteúdos em vÃdeo para atrair um novo público, novos anunciantes e, ao mesmo tempo, maior credibilidade.
Presidente da Lew Lara/TBWA, Lara ressaltou que é preciso reafirmar o papel da imprensa tradicional, colocada em xeque em todo o mundo, mas cada vez mais presente na vida das pessoas. "A sociedade se reconhece no jornal. Ele não perdeu a relevância. Pelo contrário, porque seu conteúdo está em todos os locais. Viralizou . Está nas hashtags, no Facebook, no Whatsapp."
Diretor de Jornalismo do Grupo Estado, João Caminoto seguiu na mesma linha, destacando, com um olhar positivo, como o jornalismo é entregue hoje ao público, seja por meio do papel, do celular, da rádio ou da TV. "Acho que nunca estivemos numa situação tão privilegiada para oferecer à s nossas audiências as informações necessárias para tomarem suas decisões neste perÃodo crucial em nosso PaÃs", afirmou.
Para Caminoto, o "jornalismo nunca esteve tão forte" e preparado para exercer seu papel junto à sociedade.
Eleições
As estratégias de alguns dos principais jornais do PaÃs para a cobertura eleitoral também foram tratadas durante o evento. Além de Caminoto, participaram também do debate os editores responsáveis da Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila; do O Globo, Alan Gripp; e do Grupo RBS, Marta Gleich.
Nos discursos de todos, o comprometimento em criar mecanismos internos para checar informações disseminadas nas mÃdias sociais e esclarecer o eleitorado sobre o que é ou não verdadeiro, o que vale ou não a pena.
Ao fim do evento foram homenageados os jornalistas Otavio Frias Filho, diretor de redação da Folha de S.Paulo, e Alberto Dines, criador do Observatório da Imprensa, mortos neste ano.
Francisco Mesquita Neto encerrou o encontro entregando o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa 2018 ao presidente da WAN-IFRA, Michael Golden. "É fundamental para os cidadãos e as sociedades que o jornalismo prossiga na sua missão. O jornalismo independente e sem restrições é o melhor que temos para entender a realidade que nos cerca e para formar nossa visão de mundo, disse Mesquita Neto.
Golden, em seu discurso, lembrou que a imprensa americana, em especial, está sob ataque e pelo próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ressaltou que, apesar das desconfianças levantadas e disseminadas a respeito da imprensa por polÃticos, os cidadãos devem sempre ser informados.
Fonte: Estadão Conteúdo