08/06/2022 22h20
Após veto a Moro, PSOL questiona MP sobre domicílio eleitoral de Tarcísio de Freitas
Após o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo anular a mudança de domicÃlio eleitoral do ex-juiz Sérgio Moro (União Brasil) do Paraná para São Paulo, a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo vai avaliar um questionamento enviado ao Ministério Público Eleitoral sobre a mudança do ex-ministro TarcÃsio de Freitas (Republicanos) para o Estado. Segundo a PRE-SP, o caso "está para homologação ou arquivamento". A decisão será tomada até o final do dia.
Candidato do presidente Jair Bolsonaro (PL) no maior colégio eleitoral do Brasil, TarcÃsio é carioca e morava em BrasÃlia antes de decidir disputar o Palácio dos Bandeirantes.
O pedido de investigação sobre TarcÃsio foi feito pelo presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, e enviado para 127° Promotoria Eleitoral em São José dos Campos, onde o ex-ministro alugou um apartamento em setembro do ano passado.
"O caso de Moro se aplica também a TarcÃsio Freitas. O ministro de Bolsonaro não mora em São Paulo e pretende ser candidato representando a máquina do governo federal. Isso é um desrespeito com os eleitores de São Paulo", disse o Medeiros ao Estadão.
A assessoria do ex-ministro afirmou que TarcÃsio tem contrato de aluguel em seu nome, em São José dos Campos, e que apresentou os documentos previstos em lei para a mudança de domicÃlio. "Vale lembrar que o domicilio eleitoral é analisado caso a caso pelo Tribunal Superior Eleitoral, e que o pré-candidato já comprovou vÃnculos familiares, afetivos, e profissionais, com o Estado, legitimando o reconhecimento do domicilio, conforme jurisprudência farta do TSE", disse em nota.
Ao Estadão, Juliano Medeiros minimizou, porém, o caso da ex-ministra Marina Silva (Rede), que também mudou o domicÃlio eleitoral para São Paulo para disputar uma vaga de deputada federal e é cotada até para vice na chapa de Fernando Haddad (PT). A Rede e o PSOL se uniram em uma federação para disputar as eleições 2022. Segundo Medeiros, Marina mora em São Paulo.
Em nota, Marina diz que "intensificou a sua atuação polÃtica nos grandes centros, com destaque no Estado de São Paulo" e que "todos os requisitos legais foram observados" ao transferir seu domicÃlio para São Paulo.
"Nos termos da legislação eleitoral e do posicionamento consolidado do TSE, o domicÃlio eleitoral pode ser demonstrado não só pela residência com ânimo definitivo, mas também pela constituição de vÃnculos polÃticos, econômicos, sociais ou familiares", diz a ex-ministra. De acordo com a nota, Marina possui famÃlia e residência no Estado.
O que diz a legislação
A legislação eleitoral exige que o candidato tenha mudado de endereço no mÃnimo três meses antes da transferência do tÃtulo eleitoral. No caso de Moro, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo concluiu que o ex-juiz não conseguiu provar "vÃnculo" com a capital paulista.
Moro trocou de endereço em março deste ano e havia apresentado como provas comprovantes de aluguel em um hotel e em um flat na cidade. Com a decisão, ele não poderá sair candidato pelo Estado, mas ainda pode entrar com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O questionamento contra Moro foi feito pelo deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) e pelo diretório municipal do PT.
Eduardo Cunha
O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PTB), que é carioca, também trocou domicÃlio eleitoral para São Paulo. A mudança foi aprovada pelo TRE-SP. Mesmo estando inelegÃvel até 2027 devido à Lei da Ficha Limpa, Cunha, que está filiado ao PTB, alegou que mantém articulação polÃtica na cidade e diz que pretende disputar uma vaga na Câmara por São Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo