18/05/2021 10h40
Araújo tenta fazer defesa de gestão no Itamaraty e fala em boa relação com China
Em fala inicial à CPI da Covid na manhã desta terça-feira, o ex-chanceler Ernesto Araújo procurou fazer uma defesa de sua atuação enquanto esteve à frente do Ministério de Relações Exteriores. Ele deixou a pasta no final de março após forte pressão do Congresso Nacional, principalmente vinda do Senado. Segundo Araújo, sob sua gestão, o Itamaraty atuou em conjunto com o Ministério da Saúde e outras pastas no enfrentamento a pandemia - além de contribuir com mudanças em relação a governos anteriores.
Segundo ele, foi adotada uma polÃtica comercial ambiciosa e intensa, em que o Brasil foi colocado a "um passo" de se tornar membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). "Nos dedicamos a defender direito a vida, liberdade de crença, de opinião. Abrimos frentes (comerciais) concretas com nossos diversos parceiros. Ideologia e pragmatismo é um binômio equivocado. Meu objetivo foi contribuir para um Brasil grande e livre com economia competitiva. Sem a preservação de valores a vida humana perde sentido e significado. Defendendo valores, Brasil conseguiu assinar 180 atos internacionais", disse.
Sobre a pandemia, Araújo afirmou que o Itamaraty teve "sucesso" em trazer os brasileiros que estavam na China e em outros paÃses. "Foi a maior operação de repatriação humanitária do PaÃs", disse. Alvo de crÃticas, a atuação do ex-chanceler em relação à compra de vacinas contra a covid-19 também foi comentada por Araújo.
Segundo ele, "graças a qualidade de relações com a Ãndia", o Brasil foi o primeiro paÃs do mundo a receber vacinas exportadas do PaÃs. E que "graças à relação madura e construtiva com China", o PaÃs foi o que mais recebeu vacinas e insumos de vacinas fabricados no paÃs asiático, segundo ele. "Logo no começo da pandemia, postos do Itamaraty foram instruÃdos a contatar pesquisas de vacinas, atuamos em conjunto com o Ministério da Saúde", afirmou o ex-chanceler.
"No final da minha gestão já tÃnhamos disponÃveis 30 milhões doses de vacina. Também no final da minha gestão tÃnhamos insumos para mais 30 milhões de doses", afirmou.
Convocações
Antes do depoimento de Araújo, a CPI da Covid, aprovou, ainda no inÃcio dos trabalhos, a convocação do ex-secretário executivo da Saúde Coronel Antônio Elcio Franco Filho, e a convocação do presidente da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), Hélio Angotti Netto.
O coronel Élcio atuou como o número dois do Ministério da Saúde na gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello e foi exonerado do cargo em março deste ano. Já o presidente da Conitec é convocado a prestar esclarecimentos após o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, evitar se posicionar contra o uso de fármacos sem a eficácia comprovada para o tratamento da covid-19 pois, segundo ele, a Conitec ainda estava avaliando e elaborando o protocolo de tratamento contra doença.
Fonte: Estadão Conteúdo