08/10/2019 19h40
Barroso justifica buscas contra líder do governo no Senado: 'indícios de crimes'
O ministro LuÃs Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, afirmou ao presidente da Corte, Dias Toffoli, que há uma "impressionante quantidade de indÃcios de crimes" na investigação contra o lÃder do governo Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), e seu filho Fernando Coelho Filho (DEM).
A manifestação se deu no âmbito de ação em que o Senado Federal moveu no STF para tentar derrubar a decisão que autorizou as buscas e apreensões contra os polÃticos no âmbito da Operação Desintegração, que mira supostas propinas de R$ 5,5 milhões de empreiteiras.
Em reação ao pedido, Toffoli pediu explicações a Barroso. Inicialmente, a decisão do ministro que autorizou as buscas contrariava posicionamento da então procuradora-geral Raquel Dodge, que se manifestou pelas diligências somente contra pessoas ligadas aos polÃticos.
Após o fim do mandato de Raquel, o subprocurador-geral Alcides Martins, interino na PGR, se manifestou favoravelmente às medidas cautelares contra o senador e seu filho.
Segundo o ministro, o exame dos elementos da investigação "não conferia outra opção que não a decretação da busca e apreensão". "Não seria republicano nem ético desviar do reto caminho por se tratar de figura poderosa. O Direito e a Justiça valem para todos. Esta é uma das conquistas da civilização".
"Sem antecipar qualquer juÃzo de valor sobre o mérito da investigação, é fato incontestável que a PolÃcia Federal reuniu uma impressionante quantidade de indÃcios de cometimento de crimes por parlamentares - um Senador da República e um Deputado Federal -, juntamente com outros participantes", afirmou.
O ministro ainda enumerou o resultado das diligências no gabinete do senador, que, segundo ele e a PolÃcia Federal, reuniram mais indÃcios contra Bezerra Coelho.
Nas diligências dentro do Senado, alvo de questionamento do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM), foram apreendidos papeis que, segundo Barroso, mostram contatos do senador com outros investigados, como seus supostos operadores de propinas, além de referências a "doadores ocultos" de campanhas polÃticas.
Na casa do filho de Bezerra Coelho, a PF confiscou R$ 120 mil. Parte do dinheiro estava fracionada em envelopes. O carro encontrado na casa de Fernando Coelho Filho estava em nome de um dos investigados, apontado como operador de propinas, de acordo com os investigadores.
Fonte: Estadão Conteúdo