02/11/2019 21h40
Base da Funai que protege índios isolados teria sido atacada a espingarda
Uma base de vigilância da Fundação Nacional do Ãndio (Funai) foi atacada a tiros pela sétima vez neste ano, na noite da última quinta-feira, 31, dentro do território indÃgena do Vale do Javari, em Rondônia.
A denúncia do ataque foi feita pela Coordenação da Organização IndÃgena Univaja, em nome povos Marubo, Mayoruna (Matsés), Matis, Kanamary, Kulina (Pano), Korubo e Tsohom-Djapá. Segundo a entidade, a base atingida por tiros de espingarda está localizada à s margens do Rio ItuÃ, e é uma das quatro unidades que protegem a Terra IndÃgena Vale do Javari.
"Por conseguinte, protegem a integridade fÃsica, cultural e territorial dos indÃgenas e suas aldeias, incluindo os 'isolados' e 120 indÃgenas da etnia Korubo de recente contato", diz a entidade.
Em nota, o grupo reforça que, desde o inÃcio deste ano, povos indÃgenas dessa região têm informado as autoridades competentes sobre o aumento das invasões na Terra IndÃgena, bem como o nÃvel de violência demonstrado pelos invasores.
"A Funai mantém quatro Bases de Vigilância no Vale do Javari, porém elas vêm sendo praticamente abandonadas, devido à inoperância do órgão indigenista e aos sucessivos cortes orçamentários, além da atual condução da PolÃtica Indigenista, relativizada pelo Governo Jair Bolsonaro e endossada pela cúpula do órgão, muitos desses indicados para o cargo pelo agronegócio. Isso tem resultado numa atuação medÃocre da Funai os últimos anos, pondo em perigo centenas de indÃgenas isolados e de recente contato", diz a nota.
A Base do Ituà é a principal referência da Funai para os trabalhos de assistência aos indÃgenas de recente contato. É desse local que se faz o planejamento e execução das atividades das chamadas Frentes de Proteção Etnoambientais da Funai no Vale do Javari, que é a região do mundo com maior concentração de povos indÃgenas isolados e de recente contato.
No ataque desta quinta ninguém ficou ferido. A reportagem entrou em contato com a Funai e aguarda retorno.
Fonte: Estadão Conteúdo