26/10/2021 13h10
Bolsonaro aproveita visita a refugiados da Venezuela para atacar esquerda e Lula
Suspenso do YouTube após citar uma falsa relação entre vacina contra covid-19 e aids, o presidente Jair Bolsonaro fez neste inÃcio de tarde desta terça-feira uma transmissão ao vivo no Facebook durante visita à Operação Acolhida, que atende refugiados venezuelanos em Boa Vista (Roraima). Bolsonaro aproveitou a agenda junto a uma população vulnerável para reforçar crÃticas à esquerda, à Venezuela e até mesmo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quem deve ser seu principal adversário nas eleições de 2022.
Sem usar máscara de proteção contra a covid-19, o presidente aparece no vÃdeo abraçando uma multidão de crianças venezuelanas. Ele visitou barracas utilizadas como abrigo a refugiados e postos de atendimento aos cidadãos, bem como mostrou, no vÃdeo bebês dormindo em colchões no chão. "O que a gente quer mostrar é que não queremos isso para o nosso PaÃs. Para o bem maior nosso, precisamos ver nossa liberdade. As escolhas erradas levam a isso", declarou Bolsonaro, que adota o discurso da suposta perda de liberdades no Brasil para amalgamar apoiadores.
Acompanhado pelos ministros João Roma (Cidadania) e Anderson Torres (Justiça), além do ex-senador Magno Malta, o chefe do Executivo deu tom eleitoral à visita aos refugiados. "O presidente brasileiro do passado ia à Venezuela fazer campanha com Chávez, Maduro", afirmou. Também de forma indireta, Lula ainda foi citado na própria descrição do vÃdeo publicado nas contas oficiais do presidente. "Averiguação da Operação Acolhida, situação do estado com os impactos dos refugiados e medidas tomadas para acolhimento de nossos irmãos venezuelanos que fogem da ditadura socialista de Nicolas Maduro, apoiada pelo ex-presidiário petista", diz o texto.
Apesar das menções ao adversário polÃtico, lÃder nas pesquisas e intenção de voto, Bolsonaro rechaçou o viés polÃtico de sua visita a Boa Vista. "Não estou fazendo campanha, estou mostrando a realidade", disse. "O ideal é a Venezuela é voltar à normalidade, mas sabemos que só um milagre para isso acontecer. Eles vem para cá atrás de comida".
Fonte: Estadão Conteúdo