02/08/2019 14h30
Bolsonaro avalia fazer consulta pública sobre mineração em terras indígenas
O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira, 2, que avalia fazer uma consulta pública sobre a liberação de mineração em terras indÃgenas antes de enviar ao Congresso um projeto de lei sobre o tema. O objetivo é ouvir as crÃticas antes do inÃcio da tramitação da proposta.
"O que tenho vontade de fazer, antes de apresentar um projeto polêmico, é publicar o anteprojeto de lei, para ter crÃticas", disse ele, ao sair do Palácio da Alvorada no perÃodo da manhã.
Como o jornal O Estado de S. Paulo e o Broadcast (sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado) mostrou o secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Alexandre Vidigal, afirmou que a proposta ainda está sendo escrita pelo governo e deve ser enviada ao Legislativo em agosto ou setembro.
"Temos que resolver esse assunto. Não dá para continuar assim. Temos, por exemplo, que explorar potássio na foz do Rio Madeira (Amapá). Importamos quase 100% do potássio da Rússia. Temos problemas lá com reservas indÃgenas. O Ãndio deve ser, de fato, dono de sua terra. Explorar, garimpar, se quiser, com lei, plantar, arrendar, explorar turismo. Já tem aldeia indÃgena aà onde o pessoal pode ficar numa boa explorando turismo em sua área, mostrando a sua tradição, sua cultura, as maravilhas naturais", disse Bolsonaro.
O presidente contestou a pesquisa do Datafolha, divulgada nesta sexta-feira, que aponta que 86% da população não apoia a atividade de mineração em terras indÃgenas. Para ele, isso se deve a uma imagem distorcida do que é atividade. "Acredito que pode ser um número compatÃvel. Quando se fala em garimpo, vem a imagem do cara com jato d'água, desbarrancando tudo. De vez em quando, vem com escafandro no fundo do rio. Não é assim. Esse garimpo é industrial, geralmente."
Para Bolsonaro, se não houver a regularização do garimpo no PaÃs, as pessoas continuarão explorando ilegalmente. "O garimpeiro vive disso. São seres humanos. Se você não regulamentar ou legalizar, eles vão continuar fazendo isso. Algumas vezes de forma inadequada. Queremos dar dignidade ao garimpeiro, evitar o uso de mercúrio e fazer exploração sustentável", disse.
Fonte: Estadão Conteúdo