23/10/2018 21h10
Bolsonaro chama movimentos sociais de 'coitadismo' e diz que 'acabará com isso'
O candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, classificou como "coitadismo" os movimentos sociais que defendem as causas de grupos minoritários. Em entrevista à TV Cidade Verde, do PiauÃ, o presidenciável afirmou que "tudo é coitadismo no Brasil" e que vai "acabar com isso".
"Isso não pode continuar existindo. Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitada da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense", disse Bolsonaro, para quem a melhor forma de combater o racismo é não tocar no assunto.
"Quando eu era garoto, não tinha essa história de bullying. O gordinho dava pancada em todo mundo. Agora o gordinho chora. Acontecem as brincadeiras entre crianças. Elas estão ali se moldando, moldando o caráter. Não tem de ter polÃtica pra isso", afirmou.
Segundo o candidato do PSL, lÃder nas pesquisas de intenção de votos, as polÃticas afirmativas defendidas pelos movimentos sociais "reforçam o preconceito".
Como exemplo, citou a polÃtica de cotas que garante o ingresso nas universidades públicas a um grupo de pessoas consideradas menos favorecidas, como os negros. Na opinião dele, essa polÃtica é "completamente equivocada". Para comprovar sua tese, recorre a uma estatÃstica, mas não cita a fonte da informação.
"Setenta por cento dos afrodescendentes que entram pela polÃtica de cota (na universidade) são bem de vida. Tem que ter uma cota social para inverter isso aÃ", disse Bolsonaro.
Para o presidenciável, as polÃticas afirmativas são uma "maneira de dividir a sociedade". Ele nega também que haja desigualdade no Brasil, já que, segundo Bolsonaro, "somos um só povo embaixo de uma só bandeira, um só coração verde e amarelo".
Durante a entrevista, o presidenciável voltou a afirmar que vai tratar as ocupações de terras promovidas pelo MST como ação terrorista. "Esse pessoal não pode continuar levando terror ao campo e ficar imune em nome do movimento social", afirmou.
Fonte: Estadão Conteúdo