02/06/2021 09h00
Bolsonaro recebe presidente do Patriota e promete dar resposta em 15 dias
Em busca de um partido para disputar novo mandato em 2022, o presidente Jair Bolsonaro recebeu nesta terça-feira, 1º, o presidente do Patriota, Adilson Barroso, no Palácio do Planalto. Barroso disse esperar "com muita honra" a filiação do chefe do Executivo e afirmou que ele se comprometeu a dar uma resposta sobre o convite em 15 dias. A conversa ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (RJ) assinar a ficha no Patriota.
Embora nos bastidores a ida de Bolsonaro para o Patriota seja dada como praticamente certa, Barroso afirmou ao Estadão que as negociações não terminaram e o presidente ainda vai ouvir aliados. A conversa no Planalto durou cerca de 20 minutos. O dirigente disse que não entregará o comando da legenda para Bolsonaro, a quem definiu como "parceiro".
"Tenho certeza de que o presidente vai falar: 'Quero o Adilson. Ele sabe pilotar esse avião, que é o Patriota'", declarou Barroso. "Se ele pedir a presidência nacional do partido, vai pôr quem? Ele não vai querer ser. Além de tudo, ele é fiel, parceiro, não precisa tomar o partido, não. O partido é de nós todos."
Apesar das declarações de Barroso, Bolsonaro já tentou ter o controle da direção nacional do Patriota, em 2017. À época, essa condição foi justamente o motivo que emperrou a sua filiação e o fez migrar para o PSL, sigla pela qual se elegeu presidente, em 2018.
Barroso, porém, culpou o ex-ministro Gustavo Bebianno, morto em março do ano passado, pelo episódio. "Nunca foi ele (Bolsonaro) que quis me tirar da presidência nacional do partido, pois sempre confiou em mim. Foi o Bebianno que partiu para cima de tudo que é jeito porque ele queria ser presidente do partido, tanto que ele foi presidente do PSL."
Flávio se filiou nesta segunda-feira, 31, ao Patriota e indicou que seu pai, em campanha pela reeleição, seguirá o mesmo caminho. Essa possibilidade, no entanto, já provocou racha interno na sigla. Integrantes do partido entraram com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando que mudanças promovidas à s pressas no estatuto da legenda tiveram como único objetivo beneficiar a famÃlia Bolsonaro.
A ação enviada ao TSE é assinada pelo vice-presidente do partido, Ovasco Resende, pelo secretário-geral, Jorcelino Braga, e outros seis integrantes da sigla. "Sabendo-se que o presidente da República Jair Bolsonaro busca acomodar diversos apoiadores e mandatários, compete à convenção nacional do Patriota decidir democraticamente se o partido terá candidatura presidencial própria em 2022 e, em caso positivo, se é vontade da maioria que o candidato seja o presidente da República e que seus apoiadores ocupem posições no Patriota", diz trecho da ação.
'Juntos'
Flávio Bolsonaro deixou, na semana passada, o Republicanos, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. O senador elogiou a legenda e disse ter certeza de que todos vão "caminhar juntos" para a campanha de 2022.
Já Bolsonaro saiu do PSL, em novembro de 2019, em meio a brigas internas. Após ter anunciado a criação do Aliança pelo Brasil, porém, o presidente não conseguiu reunir as 491.967 assinaturas necessárias para tirar a legenda do papel.
Após a briga no PSL, ele negociou a entrada em nove partidos, mas, até agora, nenhum aceitou lhe dar carta- branca. Para se filiar, o presidente exige ter influência sobre a executiva nacional e o controle dos diretórios e do caixa da legenda.
MBL reage e deve romper com sigla
Após assumir o comando do Patriota em São Paulo com "porteira fechada", em 2020, a cúpula do Movimento Brasil Livre (MBL) decidiu avaliar se era o caso de bater em retirada. Reunião que estava prevista para ontem à noite tinha como pauta definir o que fazer caso a legenda aceite abrigar a famÃlia Bolsonaro. "Não existe a possibilidade de estarmos juntos no mesmo projeto polÃtico. A entrada do Flávio (Bolsonaro) ao partido foi terrÃvel", disse ao Estadão o deputado estadual Arthur do Val, o "Mamãe Falei", sobre a filiação do senador, anunciada anteontem.
Do Val teve 522.210 votos (9,79%) na disputa pela Prefeitura, no ano passado, e se credenciou para disputar o governo paulista no ano que vem. Por acordo firmado em fevereiro de 2020, ele e o vereador Fernando Holiday migraram do DEM para o Patriota e receberam carta-branca para montar o seu diretório municipal. O coordenador nacional do MBL, Renato Battista, assumiu a presidência do partido na capital paulista.
Tendo atuado na linha de frente do impeachment de Dilma Rousseff (PT), o MBL apoiou Bolsonaro no segundo turno em 2018, mas depois rompeu com ele. Holiday já deixou o Patriota e entrou no Novo. Segundo a Coluna do Estadão, o vereador Rubens Nunes (Patriota), que é um dos lÃderes do MBL, chamou de "golpe" o acerto entre o partido e Flávio.
"Eles dizem que são de direita, então por que sairiam do Patriota? Se depender de mim, eles (MBL) não sairão. Mas, se ficarem, terão de fazer campanha para o Bolsonaro", respondeu ao Estadão o presidente do Patriota, Adilson Barroso.
Novo cenário
A chega de Flávio ao partido agitou os diretórios. O senador postou mensagem no Twitter informando que foi feito o convite para que seu pai também se filiasse. Bolsonaro tem até abril para se abrigar em alguma sigla e disputar a reeleição.
A filiação de Flávio causou estranheza a Cabo Daciolo, que concorreu à Presidência pela legenda em 2018. "Bolsonaro não tem nada de patriota. Entregou a nação ao mercado estrangeiro", afirmou ele ao Estadão. E em Belo Horizonte, o vereador Gabriel Azevedo recebeu ontem comunicado dando conta de sua expulsão, por crÃticas feitas ao governo.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo