01/04/2019 08h00
Bolsonaro vai definir ministros para o TSE
Alvo de ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que em tese podem levar à perda do seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro terá de escolher nos próximos meses dois novos ministros para a Corte. Os mandatos de Admar Gonzaga e TarcÃsio Vieira se encerram, respectivamente, em 27 de abril e 9 de maio.
As escolhas possuem importância porque tramitam no TSE oito processos que apuram supostas irregularidades na campanha do então candidato do PSL ao Palácio do Planalto - e ganharam relevo ainda maior após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que crimes como corrupção e lavagem de dinheiro serão julgados pela Justiça Eleitoral quando estiverem relacionados com caixa 2 em campanhas eleitorais.
Os oito processos que miram a chapa Bolsonaro-Hamilton Mourão seguem em andamento no TSE, mas não há previsão de quando serão analisados pelo plenário. As ações investigam suposto disparo em massa de mensagens no aplicativo WhatsApp contra o PT, ataque cibernético ao grupo de Facebook Mulheres Unidas contra Bolsonaro e outdoors espalhados com o nome de Bolsonaro em diversos municÃpios brasileiros.
A defesa eleitoral de Bolsonaro tem reiterado que as ações apresentadas na Corte Eleitoral contra a chapa do presidente são "temerárias e desprovidas de prova robusta".
Formação
Admar e TarcÃsio foram efetivados na composição titular do TSE há dois anos pelo então presidente Michel Temer (MDB), à s vésperas do julgamento da chapa encabeçada por Dilma Rousseff, por abuso de poder polÃtico e econômico na campanha de 2014. Por um placar apertado de 4 a 3, o TSE absolveu a chapa - TarcÃsio e Admar votaram para livrar Temer, já na presidência, e Dilma, cassada, da condenação.
Em tese, os ministros podem ter o mandato renovado por mais dois anos. O TSE é formado por sete ministros titulares. Três são oriundos do Supremo Tribunal Federal (STF), dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e outros dois são advogados.
Enquanto os ministros do STF e do STJ seguem um esquema de rodÃzio para atuar no TSE, os representantes da classe de juristas são escolhidos por meio de lista trÃplice submetida ao presidente da República. Até o final do mandato, Bolsonaro terá de definir outros dois nomes para ocupar a vaga de juristas no biênio 2021-2023.
Caberá ao STF definir a lista trÃplice a ser encaminhada ao presidente, que terá obrigatoriamente de escolher um dos nomes indicados, conforme previsto pela Constituição. Dentro do Supremo, a situação de TarcÃsio é considerada menos delicada do que a de Admar.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou, há resistências no tribunal ao nome de Admar devido à denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por lesão corporal decorrente de suposta violência doméstica contra Élida Souza Matos, ex-mulher do ministro. Fontes ouvidas pela reportagem acreditam que as duas mulheres que integram o plenário do STF - Rosa Weber (que também preside o TSE) e Cármen Lúcia - não devem chancelar o nome de Admar. Outros ministros também já teriam demonstrado ressalvas.
Há colegas de Admar, no entanto, que destacam a presunção de inocência e ressaltam que o caso ainda aguarda uma decisão do relator do processo, ministro Celso de Mello. A avaliação é a de que a falta de um desfecho para o episódio atrapalha os planos de Admar de ser reconduzido - na história recente do TSE, não há caso de integrante que não teve o mandato renovado devido a processo criminal.
Admar já advogou para Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), garantindo na Justiça o direito do filho do presidente concorrer ao cargo de vereador no inÃcio de carreira, aos 17 anos - em 2000, Carlos tornou-se o mais jovem vereador da história do Brasil. O próprio Jair Bolsonaro já chamou o ministro de "meu peixe" perante interlocutores, conforme apurou o Estado com dois integrantes do TSE.
"Nossa nomeação não nos vincula em decidir desse ou daquele modo. É só olhar o resultado dos julgamentos. Sempre nos pautamos na lei e na jurisprudência", disse Admar à reportagem. "Esse é um assunto que compete ao Supremo. Não cabe ao ocupante do cargo fazer pleitos e sequer aguardar que algo lhe seja comunicado. De fato, o que ali fazemos é servir ao PaÃs e à Justiça Eleitoral."
O ministro considerou o trabalho com Carlos Bolsonaro "muito gratificante". "ConstruÃmos o caminho com base naquilo que acreditávamos ser justo e com amparo constitucional."
Procurados, o Palácio do Planalto, o ministro TarcÃsio Vieira e a assessoria do TSE não se manifestaram até a publicação desta matéria. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo