07/05/2018 15h39
Bretas: 'Temo que a Justiça Eleitoral seja usada para manutenção do status quo'
O juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelos casos da Lava Jato no Rio de Janeiro, criticou nesta segunda-feira, 7, a estratégia de polÃticos para saÃrem da mira da operação e encaminharem seus casos para a Justiça Eleitoral.
Bretas participou em BrasÃlia do Fórum Democracia Euro-Brasileiro, na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O juiz federal participou de um painel sobre o combate do Judiciário à corrupção. "A Justiça eleitoral é especializada, mas precisamos reconhecer que ela não tem estrutura necessária para enfrentar algumas situações", avaliou Bretas.
O juiz federal destacou que os juÃzes eleitorais são temporários e não são de dedicação exclusiva. Além disso, frisou que o corpo técnico da Justiça Eleitoral é especializado, mas os juÃzes eleitorais, não.
Sem citar nomes de polÃticos, Bretas afirmou que "o sonho de alguns acusados é levar (os seus casos) à Justiça Eleitoral". "A ideia é criar um caminho que não leve a lugar nenhum, fingir que a coisa vai para a frente e que a punição será efetiva", completou, ressaltando que na esfera eleitoral as penas são baixÃssimas.
"Eu temo que a Justiça Eleitoral seja usada para a manutenção do status quo, para que tudo isso que esteja sendo investigado não seja efetivado", alertou Bretas.
Na abertura do painel, Bretas ressaltou que "o Poder Judiciário precisa ouvir as ruas" e observou que não se pode generalizar a classe polÃtica.
O juiz federal também comparou os crimes de corrupção a genocÃdios, ao sustentar que eles "têm efeitos coletivos".
Fonte: Estadão Conteúdo