18/12/2017 17h20
Camargo Corrêa diz que cartel atingiu três obras em SP
O cartel dos metrôs e monotrilhos em São Paulo atingiu três obras, mas planejou estender seus tentáculos a outras seis, segundo revelou a empreiteira Camargo Corrêa, em acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. O Cade, órgão antitruste do governo federal, ainda vê indÃcios de acordos anticompetitivos em outros dois empreendimentos.
A empreiteira confessou crimes de cartel em 21 licitações em 7 Estados e no Distrito Federal, durante longos 16 anos, no perÃodo entre 1998 e 2014. O acordo foi firmado no âmbito da Operação Lava Jato e as negociações envolveram o Ministério Público Federal em São Paulo. O Cade abriu processo administrativo para apurar os crimes do cartel.
De acordo com executivos ligados à Camargo Corrêa, entre 1998 e 2005, o cartel assumiu as obras da Linha 4-Amarela - prevista para 2014, mas ainda não concluÃda - e duas obras da Linha 2-Verde. Em todo esse perÃodo, São Paulo tem sido governada por gestores ligados ao PSDB.
O Cade vê indÃcios de que houve acordos anticompetitivos concluÃdos e implementados em 2008 que afetaram outras duas obras para a Linha 2-Verde e Linha 5-Lilás.
Para oito licitações em todo o PaÃs realizadas entre 2008 e 2013, os acordos foram planejados, mas não chegaram a ser implementados "por razões alheias ao cartel", segundo relata o Conselho. Neste perÃodo, estão abarcadas duas obras de São Paulo: projeto de trecho paralelo à Raposo Tavares (futura Linha 22) e projeto na região MBoi Mirim.
Os executivos da Camargo Corrêa ainda afirmam que houve tentativa de conluio entre 2010 e 2014 para a Linha 15 - Prata - Expresso Tiradentes e Linha 17 - Ouro, ambas do monotrilho de São Paulo; Linha 15 - Branca - Trecho Vila Prudente/Dutra e Linha 6, ambas do metrô de São Paulo.
Defesas
Em nota, a Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo afirmou: "O Metrô de São Paulo é o maior interessado na apuração das denúncias de formação de cartel ou de conduta irregular de agentes públicos e, assim, continua à disposição das autoridades."
A construtora Camargo Corrêa, em nota, afirma que "a Construções e Comercio Camargo Corrêa, primeira construtora a firmar acordos de leniência, reafirma seu compromisso de manter investigações internas em bases permanentes e colaborar com as autoridades reportando quaisquer condutas ilÃcitas que venham eventualmente a ser descobertas.
Em função de cláusulas de confidencialidade, a Camargo Corrêa não pode, neste momento, fazer qualquer comentário sobre os termos do acordo.
Ressalta porém, que a decisão, divulgada no site do CADE, configura evidência inequÃvoca do compromisso pioneiro assumido de colaboração contÃnua junto à s autoridades competentes, tanto no âmbito das investigações internas como também da implementação de uma nova Governança e Compliance já concluÃdos."
Fonte: Estadão Conteúdo